EXISTE GP EM SP (11)

O conto de fadas dinamarquês em algumas fotos para fechar o dia de hoje. Amanhã tem mais, treino livre às 12h30 e Sprint às 16h30. Até!

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EXISTE GP EM SP (10)

Magnussen, primeira pole da carreira: milagre dinamarquês em Interlagos

SÃO PAULO (aqui é demais) – Kevin Magnussen, 30 anos, piloto da pequenina Haas, fez a pole-position para o GP de São Paulo, em Interlagos. Roteiro inimaginável escrito — alguém vai dizer isso, então digo eu — pelos deuses do automobilismo que sempre inventam alguma coisa quando a F-1 aparece por aqui. Como acontece com frequência, a instabilidade climática da região sul da cidade foi decisiva. Estamos na primavera, chuva não é algo raro por estas bandas, e foi ela, de novo, que produziu a maior surpresa de um grid nos últimos anos.

O dinamarquês, que até dias antes de começar a temporada estava fora da F-1, chegou à primeira pole de sua carreira em seu 140º GP. A Haas levou sete anos e 142 corridas para chegar lá. K-Mag é o terceiro, entre os que já largaram na pole, que mais demorou para alcançar a honraria — perde para Pérez, 216 GPs de espera, e Sainz, 151.

Será ele, amanhã às 16h, a pontear o grid para a Sprint, corrida de meia hora que vai definir o grid do GP propriamente dito, marcado para domingo às 15h. Max Verstappen estará a seu lado na primeira fila, com George Russell e Lando Norris atrás deles. O grid da prova principal, como se sabe, será definido pelo resultado da Sprint. Mas de acordo com o que reza o regulamento atual da categoria, para efeitos estatísticos Magnussen é o detentor, até o fim dos tempos, da pole deste GP. A primeira da Dinamarca. Mesmo se terminar em último amanhã.

A sexta-feira cinzenta e chuvosa da metrópole foi cenário de uma bela fábula da velocidade, que será contada a partir de agora.

PIloto da Haas estava fora da F-1 até saída de Mazepin: guerra ajudou

Como choveu entre o treino livre e a classificação, o tempo fechou, o asfalto molhou, o vento soprou, o frio se achegou, o povo encharcou, e todos se perguntavam nos boxes quando a luz verde se acendeu: e agora, José?

Mas foram só algumas voltinhas com pneus intermediários para perceber que a chuva parou, e por isso a pista secou, ou pelo menos iria secar com os carros passando, e em algum momento a borracha lisa seria possível. Faltando 9 minutos para a conclusão do Q1, Gasly foi o primeiro a arriscar pneus slicks.

As primeiras voltas vinham sendo cronometradas na casa de 1min19s com os pneus de chuva. O francês da AlphaTauri pulou para 1min17s626 na primeira volta que fez com os macios lisos, indicando que a opção era a mais apropriada, apesar de em alguns pontos o piso se mostrar traiçoeiro e aleivoso. Depois, baixou para 1min16s557, escorregando aqui e ali. Mas os slicks eram bem mais rápidos, mesmo.

Todo mundo, então, fez a mesma coisa e foi à luta. Quando o cronômetro concedia ainda um minuto de tempo disponível aos competidores, creiam, Latifi era o mais rápido com 1min15s969. Mas estavam todos na pista e as marcas foram caindo uma a uma, com vários pilotos se revezando na honrosa primeira colocação de um Q1: Albon, Alonso, Norris, Hamilton, todos por ali passaram. Quedaram, submetidos à implacável foice da eliminação, Latifi, Zhou, Bottas, Tsunoda e Schumacher. Norris, que se apresentou à McLaren hoje mais leve do que ontem, quando faltou ao trabalho, ficou com a melhor marca: 1min13s106. Hamilton, Alonso, Vettel e Pérez concluíram o Q1 nas cinco primeiras posições.

Verstappen: segundo com a Red Bull, favorito amanhã

Para o Q2 já não havia mais dúvidas. Pneus macios, slicks, e todo cuidado do mundo com o piso úmido do autódromo paulistano. O uso da asa móvel, que havia sido vetado no Q1 por causa das condições da pista, foi autorizado. A temperatura seguia na casa dos 19,2°C, ou 66,5°F para aqueles que nos leem em Illinois. Os tempos despencaram, finalmente, para o patamar de 1min11s, algo bem adequado à data, 11/11.

O problema era a chuva. São Paulo, os mais jovens talvez não saibam, é conhecida desde tempos imemoriais como terra da garoa. E ela, a garoa, ia e vinha. Dizem que da represa, mas para isso não há confirmação científica. Outro obstáculo para os pilotos: enquanto na represa, que dizem que manda a chuva, o barquinho vai, no resto da cidade a tardinha cai. E começou a escurecer. Verstappen notou o fenômeno, que de inédito não tem nada — na medida em que as horas passam, a noite se aproxima; é assim no mundo inteiro. Eram 16h30 quando o holandês se queixou do visual plúmbeo e soturno. E voltou a chover com perceptível intensidade, especialmente no último setor do traçado, onde não há represa alguma, e sim alguns prédios do antigo projeto Cingapura (com C, mesmo) do ex-prefeito Paulo Maluf.

Ainda assim, antes de a água voltar a embeber o asfalto, três pilotos entraram na casa de 1min10s, acabando com a graça de 1min11 no 11/11: Verstappen, Sainz e Leclerc. Max fez 1min10s881, para os registros. Albon, Gasly, Vettel, Ricciardo e Stroll foram, desta feita, os que padeceram no Q2. Seguiram na labuta as duplas de Red Bull, Ferrari, Mercedes e Alpine, ladeados por solitários representantes da Haas (o já àquela altura surpreendente Magnussen) e McLaren (Norris).

Fila na saída de box: Leclerc, o único com pneus intermediários

Como costuma acontecer nesta região, em finais de semana de GP em particular, parou de garoar mais uma vez e os dez pilotos habilitados ao Q3 enfileiraram na saída dos boxes para aproveitar o que havia ainda de pista seca antes que o céu desabasse sobre suas cabeças — o maior medo de figuras históricas da humanidade como o gaulês Obelix, por exemplo.

Sinal verde, saíram todos em desabalada carreira com um detalhe curioso: um único piloto com pneus intermediários, Leclerc. Pelo rádio, o polido monegasco perguntou à equipe: “Seria eu o único a exceder na cautela?”. “Acreditamos que sim”, respondeu educadamente seu engenheiro. Foi para a pista, viu que o pneu era uma merda para aquela situação, voltou aos boxes, naturalmente, e colocou os corretos para tentar uma volta rápida — trapalhada, mais uma, que entra para o folclore ferrarista.

E, então, eis que George Russell se perde na freada para a curva do Lago e atola na brita numa tentativa circense de dar um cavalo-de-pau para voltar ao leito da pista. Faltavam 8min10s para o encerramento das atividades e Magnussen ostentava, orgulhosa e esperançosamente, a primeira posição provisória do Q3 com o tempo de 1min11s674.

A bandeira vermelha foi desfraldada, comunistas!, gritaram alguns nas arquibancadas. A sessão foi interrompida. Depois do dinamarquês da Haas apareciam, pela ordem, Verstappen, o infeliz Russell, Norris, Sainz, Ocon, Alonso, Hamilton, Pérez e Leclerc.

Informado de que estava em primeiro e que se a chuva voltasse largaria na pole, Magnussen exultou, pelo rádio: “Nunca me senti assim na vida”. Já começava a sonhar com a pole, indiferente à vergonha de Russell, encostado numa barreira de pneus à espera do “transfer” para os boxes. Para o piloto da Haas, naquele momento, que o céu desabasse de vez; era tudo que ele queria.

Freir, deus nórdico ligado à chuva: caiu do céu, a pole de K-Mag

“Frey, Frej, Freyr ou Freir é um deus nórdico do clã dos Vanes, geralmente representado como belo e com o falo à mostra, de acordo com os achados arqueológicos”, informa texto que pesquei rapidamente na Wikipedia quando vi que, após a breve interrupção, o primeiro piloto que voltou à pista, Pérez, estava com pneus intermediários. Se fez isso, é porque a chuva apertou. Se a chuva apertou, Magnussen está na pole. “É a divindade da prosperidade, das boas colheitas e da agricultura”, segue o texto, donde concluo que a entidade tem algo a ver com a chuva, e portanto atribuamos à formidável piroca de Freir a pole-position mais louca desde a de Lance Stroll no GP da Turquia de 2020 com um carro da Racing Point, hoje Aston Martin. Aqui mesmo em Interlagos, em 2010, vivemos algo parecido com Nico Hülkenberg, da Williams, em 2010.

Hamilton também saiu dos boxes com intermediários, viu que nada podia fazer diante do gigantesco falo de Freir, voltou aos boxes e Magnussen começou a comemorar. Festa de equipe pequena é, sempre, o que de melhor a F-1 oferece, de tempos em tempos. Como a vitória de Vettel em Monza com a Toro Rosso em 2008, de Gasly lá mesmo em 2020 com a AlphaTauri, de Ocon na Hungria no ano passado. Abraços, urros, socos no ar, sorrisos rasgados, sangue, suor e lágrimas. “Nem sei o que dizer. A equipe me mandou para a pista na hora certa, nem acredito”, disse o veterano dinamarquês.

“Quando chove sopa, é preciso ter uma colher. Tínhamos uma colher!”, filosofou o chefe da Haas, Günther Steiner, figura que se tornou uma das mais carismáticas do paddock graças às suas atuações exemplares nas temporadas de “Drive to survive” na Netflix. “Não foi só sorte, fizemos tudo certinho.”

Não se pode negar. Pole é pole. Verstappen poderia ter feito uma volta melhor? Sim, se não tivesse cometido um erro sutil na curva 8, que pela numeração não sei exatamente qual é em Interlagos — conheço todas pelo nome.

O grid da Sprint: vai ser divertida

Para amanhã, a previsão do tempo é mais ou menos parecida com a de hoje. Em algum momento, chove. Agendada para o final da tarde, a Sprint tende a ser divertida. Max é muito favorito à vitória, porque Interlagos é um circuito de ultrapassagens fáceis em pelo menos um ponto, a freada para o S do Senna, e não tão difíceis em outro, o final da Reta Oposta. Com asa móvel e carro rápido, o grau de dificuldade não é muito alto.

Mas Magnussen disse que vai ao ataque amanhã e não quer nem saber. Ele tem o direito de sonhar com o que quiser esta noite. E de pedir todas as bênçãos possíveis aos melhores deuses escandinavos de plantão. São muitos, a mitologia nórdica é farta e exuberante. É só escolher.

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GOL, 42

SÃO PAULO (boa viagem, lindo) – Uma pausa reverente para informar que a Volkswagen apresentou hoje o Gol Last Edition, série especial de mil unidades numeradas que marca o fim da produção do modelo lançado em 1980. É verdade que foram várias gerações e nada se compara à “quadrada” original. Mas é o Gol, ora bolas. Foram 42 anos pelas ruas deste país e de alguns vizinhos da América do Sul. Gol é Gol. E quem puder comprar um desses e guardar na sala de casa, deve fazê-lo. Está bonito, com referências aos anos 80 e 90, é uma linda homenagem. Semana que vem vou tirar meu GT da garagem, dar um passeio, matar a saudade.

Gol foi meu primeiro carro, em 1982. Um LS prata, motor a ar, 1.600. Ainda estou atrás dele. Soube que está vivo, em algum lugar perto de Caieiras. É o tipo de busca que vale a pena.

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EXISTE GP EM SP (9)

Pérez, mais rápido no treino livre: Red Bull forte, como sempre

SÃO PAULO (24°C lá fora, 49° no asfalto) – Findo o primeiro treino livre, Sergio Pérez, o Checo, fez o melhor tempo dos últimos tempos em Interlagos. Minhas referências são distintas daquelas que vocês mortais, que só veem F-1 na frente e ignoram todo o resto que se passa no mundo, possuem. Correrão aos seus cartapácios amarelados para contestar o escriba, bradando: “Hamilton fez 1min09s050 no primeiro treino livre no ano passado! E fez o melhor tempo do Q3 com 1min07s934! Com qual autoridade vindes vós, do alto de vossa prepotência e arrogância, afirmar que este 1min11s853 do chauffeur mexicano se coloca entre, como chamais, de ‘melhor tempo dos últimos tempos’?”.

Porque os últimos tempos incluem todas as corridas que aconteceram em Interlagos desde o GP da afamada Fórmula 1 de 2021, e entre elas incluo aquelas das quais participei, e na minha categoria quem vira 2min05s já faz muito, e eu conseguiu um 2min12s no começo do ano que considerei muito bom, não me colocaria em posição confortável entre esses veículos que cá estão neste fim de semana, mas foi muito bom mesmo assim.

Portanto, este um onze oito cinco três do, como vocês dizem, chauffeur mexicano me pareceu excelente, o melhor tempo dos últimos tempos. Dele se aproximaram dois outros pilotos quase tão velozes quanto, Chaleclé, que dirige automóvel vermelho fosco, e Max Emilian Verstappen, que por sua vez conduz viatura preta fosca. Um ficou a 0s004 de Pérez. O outro, a 0s008. Em quarto, o madrilenho Carlos Sainz, que aconteça o que acontecer mais tarde perderá cinco posições no grid porque sua equipe, a mesma de Chaleclé, andou trocando o motor de seu carro.

Russell, sexto: Mercedes discreta

Hamilton, Russell, Vettel, Schumacher, Bottas e Gasly completaram a sempre mencionada relação dos dez primeiros, porque quem veio depois disso já nem importa tanto. Talvez valha uma menção a Ricciardo, o último colocado a 1s506 do líder da tabela. E talvez valha dizer que do primeiro ao 14º, o riquinho Stroll, a diferença foi inferior a um segundo — 0s906, em nome da precisão.

Oh, que equilíbrio maravilhoso, que coisa espetacular, deve ter gritado alguém! Não se iludam. Interlagos é uma pista curtinha, de 4.309 metros, e os tempos sempre são muito próximos, mesmo. Não teve equilíbrio algum, é Red Bull x Ferrari, e não haverá surpresas.

Os tempos do primeiro treino: tudo aí

Novamente recorrerei ao formato “no sentido horário” para legendar as fotos acima: Leclerc, Magnussen, Drugovich, Alonso e Schumacher estão acima. Vocês verão muitas fotos como essa de Alonso, com as bandeiras ao fundo desfocadas, como se estivéssemos diante da sede das Nações Unidas em Nova York. Esse ângulo é, de fato, muito fotogênico.

Mas, de novo, não se iludam. Fotógrafos são espertos. Isso aí é a subida da entrada dos boxes, os caras vêm devagar, é mais fácil fazer o foco e fica bonito. Todo mundo faz igual.

O tempo fechou em Interlagos. São 14h15 agora, esfriou, há nuvens escuras e acho que vai chover. A definição do grid acontece às 16h. Forma-se a grelha para a minicorrida de amanhã, a Sprint, programada para as 16h30. Do resultado desta extrai-se o grid do GP, domingo.

Agora vou ao boteco.

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EXISTE GP EM SP (8)

Bar da Dona Onça no paddock: ótima ideia

SÃO PAULO (até torresmo) – Uma das preocupações de jornalistas (do mundo todo, atesto) e bicos da F-1 em geral é com: horário de almoço. Nas equipes, bem entendido.

Há almoços muito concorridos no mundo inteiro, pode-se dizer que cada paddock tem uma característica muito particular e tal. Em alguns autódromos é bom comer nas praças de alimentação informais no meio do povo, como na Alemanha — Bratwurst feita na brasa com mostarda no pão, recomendo. Aqui no Brasil há escritórios nos fundos dos boxes, estrutura recente muito bem-vinda, onde se acomodam as equipes e há espaço suficiente para a montagem de cozinhas.

Almoçar na Ferrari era um hit anos atrás, por causa de Barrichello e Massa. Massa piloto, não massa comida. Mas se comia massa. A comida, não o piloto. A Red Bull, especialmente nas Europa, sempre foi muito concorrida. Nos anos 90, tão distantes, me aprazia almoçar na Renault, que tinha um cozinheiro italiano muito talentos. Ou no motorhome da Porsche, que fazia corridas preliminares e em todo GP sorteava um carro para algum sortudo ficar no fim de semana. Uma vez o Mariante, da “Folha”, ganhou. Mas ele não gostava de dirigir e eu que fiquei com o dito cujo.

O que chamamos genericamente de motorhome, aliás, já não é, faz tempo, um busão com uma tenda estendida para cobrir algumas mesas e receber comensais. A Red Bull monta um edifício de três andares com bares, área de descanso, mesa de ping-pong, sauna e o diabo a quatro. Essa moda começou muitos anos atrás quando a McLaren, em Ímola, primeira corrida europeia daquela temporada (não lembro qual, não perguntem), em vez de estacionar dois ônibus e montar um puxadinho entre eles ergueu uma estrutura que parecia subsede da Nasa.

Aquilo foi um “turning point”, como se diz no Oregon, não sei como vocês falam isso no Brasil, e depois daquela nave espacial da McLaren todo mundo se viu obrigado a levar para as corridas europeias motorhomes que consumiriam o orçamento de uma equipe inteira na Fórmula Indy. Tudo muito absurdo, exagerado, suntuoso e caro, como a F-1 sempre foi.

Voltemos ao almoço. Um rapaz veio me perguntar agora há pouco se eu sabia o horário do almoço na Mercedes, e não, eu não sabia, por que saberia?, apenas ponderei que como o treino era às 12h30, como está sendo neste momento, provavelmente o almoço na Mercedes, e nas outras equipes, deveria ser servido depois do treino, o que me pareceu razoável. Caso contrário teriam todos de almoçar, sei lá, às 11 da manhã, o que é cedo em qualquer circunstância para uma refeição.

E foi em meio a tais pensamentos gastronômicos que fui dar uma volta pelo paddock agora há pouco para ver e ser visto (tiram até fotos comigo, mas notei que pilotos das antigas andam me tratando com certa frieza patriótica, e foda-se), e junto com o inseparável Fábio Seixas nos deparamos com algo inusitado e, depois de colocada em prática a ideia fica fácil de dizer, perfeito: um boteco.

Como é que ninguém pensou nisso antes?

Atrás do box 20, que frequentei bastante nos tempos em que corria de DKW (hoje nossa equipe se aboleta no 14 ou no 15, dependendo do evento), montaram uma filial do Bar da Dona Onça, reputado estabelecimento instalado no térreo do Edifício Copan, no centro da cidade. Seus donos são também proprietários d’A Casa do Porco, premiado restaurante ali perto.

E é um boteco bem decorado, com belíssimas fotos de GPs do Brasil antigos nas paredes, latas e garrafas, iluminação estudada, uma linda DJ tocando música brasileira, mesas e cadeiras de madeira, guardanapos de papel, um balcão e uma bancada de petiscos com pastéis, mortadela, linguiça, torresmo, bolinhos de bacalhau, aquilo todo boteco precisa ter. E cerveja, que me pareceu gratuita porque bebemos e ninguém cobrou nada.

A F-1 tinha uma BAR, lembram? Hoje tem um boteco, ao menos aqui. Me parece justo trocar BAR por boteco. Espero que a ideia prospere.

Quanto ao almoço na Mercedes, já dispensei.

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EXISTE GP EM SP (7)

De Vries estava pronto: até macacão no tamanho certo

SÃO PAULO (passou?) – Lando Norris superou o piriri (odeio essa palavra, mas odeio ainda mais a escatológica “caganeira”, e considero a expressão “intoxicação alimentar” meio presunçosa) e já está em Interlagos. Daqui a pouco estará no carro da McLaren para o primeiro treino livre, às 12h30. Mas se continuar se sentindo mal, ainda pode ser substituído. Antes da classificação, o regulamento permite que um piloto seja trocado para participar de um GP. Sem classificar o carro, porém, não pode. Nyck de Vries segue de sobreaviso, mas aparentemente tudo vai ficar bem com Landinho.

Lembrando a programação de hoje: 12h30 treino livre, 16h classificação para formar o grid da Sprint de amanhã e determinar o pole-position oficial do GP.

Falando em Sprint, a FIA e a Liberty estão estudando mudanças para o ano que vem. Hoje, o grid da Sprint é definido na sexta e o resultado da Sprint define o grid do domingo. A ideia é fazer com que a Sprint seja, digamos assim, autônoma, independente, autossuficiente, soberana. Não sei se me fiz entender, acho que não. Mas, resumidamente, a Sprint não definiria mais o grid de domingo. Os grids das duas corridas, a curta e a longa, seriam estabelecidos a partir da classificação na sexta. O resultado da Sprint seria apenas isso, o resultado de uma corrida de meia hora, com pontos para os oito primeiros. Não importa se o cara largou em quinto e chegou em nono. No dia seguinte, ele largaria em quinto de novo. Isso para que os pilotos se arrisquem mais e não fiquem com medo de fazer alguma cagada no sábado, sabendo que isso significa perder posições no grid para a prova de verdade, no domingo.

Deu pra entender? Se não deu, leia de novo. Não consegui resumir.

Outra notícia de hoje está na imagem à direita aí em cima. Na verdade, é de ontem. Sei que a gente não deve divulgar essas birutices nem dar voz a fascistas tresloucados, mas também não se pode omitir que está acontecendo. Até para se constatar a estupidez e a burrice dos envolvidos. Esse texto aí circula em redes sociais de imbecis bolsonaristas (desculpem a redundância) convocando os “patriotas” para alguma manifestação na porta do autódromo. Domingo, às 14h.

Considerando que vão encontrar o autódromo, o que não é muito provável, serão vistos por… ninguém! A corrida começa às 15h. Às 14h, não haverá viv’alma na rua.

São burros pra cacete.

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EXISTE GP EM SP (6)

SÃO PAULO (11 do 11 de 22) – Avistamento em Interlagos nesta manhã. Automóvel esquisito que causou espécie aos torcedores na entrada do autódromo, além de seguranças e jornalistas que falam línguas estranhas.

Há suspeita de que porte material radiativo. As forças de segurança estão investigando. Engenheiro da Haas foi visto fotografando o veículo em detalhes. Piloto australiano anotou o nome num guardanapo e disse: “Pode ser uma opção, nunca se sabe…”.

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EXISTE GP EM SP (5)

SÃO PAULO (valem mais que mil palavras) – Algumas imagens absolutamente aleatórias desta quinta-feira em Interlagos. No sentido horário, vamos lá:

SEBASTIÃO – Vettel disputará seu último GP no Brasil. Como tem feito ultimamente, veio de camiseta temática na linha “vamos salvar as árvores brasileiras”. Não há ironia alguma aqui, nem deboche. Seb é um ativista importante e tem dedicado boa parte de seu tempo a defender o meio-ambiente. É um cara que se preocupa de verdade. Semana que vem, encerra a carreira na F-1. Deixará um enorme vazio — de talento e relevância.

I WANT TO RIDE MY BIKE – Tem as cores da Mercedes, os patrocinadores da Mercedes, estavam encostadas nos fundos dos boxes da Mercedes, então, como são duas, creio que são dos pilotos da Mercedes. Mas só para andar aqui dentro. Lá fora, pela avenida Interlagos, não recomendo.

TEST DRIVER – Dentro do carro vê-se Felipe Drugovich, que tem sido o titular dos treinos de pit stops da Aston Martin. É a primeira vez do brasileiro em Interlagos na condição de contratado de uma equipe de F-1. Em entrevista ao Fábio Seixas, o piloto falou que pretende correr de alguma coisa no ano que vem, paralelamente ao trabalho de reserva da equipe inglesa. WEC, Super Fórmula no Japão e até Indy estão no radar.

PÉ DURO – Tsunoda ensaiou uns chutes para algo que parecia ser um vídeo promocional da AlphaTauri. Depois de errar o alvo pela terceira vez e quase tomar um tombo, fui atrás de coisa mais interessante para fazer.

PÉ MOLE – Essa foto é aleatória mesmo. Toda vez que tem GP no Brasil algumas empresas lançam produtos ou serviços ligados à F-1. Recebi um press-release da ASICS informando sobre o lançamento de um tênis preto e dourado com um gel não sei das quantas na sola. Leva a marca de Ayrton Senna, claro. Registrado está.

É REDONDA – Indubitavelmente esférico e polido é o mundo da Alfa Romeo. Os boxes, porém, são planos.

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EXISTE GP EM SP (4)

Ricardão sem time: planos para 2023 (foto Rodrigo Berton)

SÃO PAULO (sei não…) – Red Bull ou Mercedes como piloto reserva. Aparentemente essa é a meta de Daniel Ricciardo, que não cita nomes mas tem dado entrevistas passando a impressão de que já ajeitou a vida para 2023. Ao menos sabe exatamente o que quer — o que não significa que vai conseguir. Falou que deseja ter um tempo para ele mesmo no ano que vem, dirigir um carro de F-1 “algumas vezes”, trabalhar em simulador e se preparar fisicamente para voltar em 2024. Se alguém vai querê-lo em 2024 é algo que não se sabe.

Tenho notado aqui e ali uma certa preocupação das equipes em reforçarem seus times de reservas, porque com 24 etapas no ano que vem a chance de alguém ter uma dor de barriga — como Norris — e perder duas ou três corridas aumentou potencialmente. Há muitos finais de semana seguidos com GPs e qualquer problema físico/médico/clínico/psicológico, sem tempo de recuperação, é capaz de desfalcar uma equipe como nunca antes nesta categoria. Daí a procura por pilotos que saibam pelo menos onde fica a buzina de um carro de F-1 — caso da Aston Martin com Vandoorne. Ter apenas garotinhos corados e sorridentes com fone de ouvido e uniformes engomados nos autódromos pode não ser suficiente. Tal necessidade, em tese, explicaria a confiança de Ricciardo em conseguir um emprego para 2023.

O australiano falou que não pretende correr em outra categoria, mas por enquanto evita dizer um não rotundo a possibilidades que possam aparecer. Reforça o tempo todo, porém, que a F-1 é sua pastora e nada lhe faltará se lhe for concedida a graça de voltar.

Eu continuo achando que sua melhor chance será comprando um Audi TT e tirando fotos na frente da fábrica de Ingolstadt com um cartaz onde se possa ler, em inglês e alemão: “Olha eu aqui!”. Se Ricciardo pode ser realmente útil para alguém neste momento, é para a montadora alemã, que estreia em 2026. Pelo menos no período de transição 2024-2025, como Sauber, seria bom ter alguém com alguma rodagem na folha de pagamento. Mas pelo jeito só eu penso assim, porque ninguém tem falado nisso por aqui.

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EXISTE GP EM SP (3)

Estrela d'”Os Impossíveis”: clássico dos anos 60

SÃO PAULO (mais uma?) – Lando Norris está mal do estômago. Foi ontem ao jogo do Palmeiras no Parque Antarctica contra o América Mineiro, deve ter mandado um sanduba de pernil de porta do estádio, daqueles fartos no vinagrete, e hoje acordou com o que se chama tecnicamente de “intoxicação alimentar”.

E se não puder correr?

É só chamar o Multi-Homen (Google, crianças) Nyck de Vries, que tem viajado para todas as corridas com excesso de peso na bagagem pela quantidade de macacões e capacetes que precisa carregar. O holandês já andou, só neste ano, em carros de quatro equipes diferentes. Pela Williams, além de um treino livre em Barcelona, disputou o GP da Itália — chegou em nono e garantiu emprego na AlphaTauri para o ano que vem. Aston Martin e Mercedes também se valeram de seus préstimos em treinos livres. Pela Alpine, fez um teste privado na Hungria à guisa de vestibular para a equipe francesa, que tinha perdido Alonso e Piastri — ninguém foi aprovado. É bom lembrar que De Vries é piloto contratado da Mercedes, e se os caras mandarem ele dirigir ônibus na linha Guaianazes-Largo da Concórdia, é lá que ele estará batendo o ponto amanhã.

Caso Norris não consiga sair do toalete amanhã, a McLaren será o quinto time de De Vries em 2022, com um detalhe: depois do GP de Abu Dhabi, nos testes pós-temporada, ele vai andar com o carro de sua nova equipe. Assim, o moço pode terminar 2022 com uma coleção de seis macacões multicoloridos. Faltariam para completar o acervo apenas os de Ferrari, Red Bull, Alfa Romeo e Haas.

Por via das dúvidas, Nyck já experimentou o cockpit da McLaren hoje. Pegaram um banco disponível no estoque, colocaram umas almofadas e deixaram tudo no jeito. Como se sabe, o time papaia usa motores Mercedes, o que explica a opção por ele para uma possível substituição de Norris.

Amanhã, de qualquer forma, saberemos o que Landinho andou comendo por aí.

De Vries experimenta o cockpit da McLaren: mais uma?
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