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quinta-feira, 30 de março de 2006 - 19:29Autódromos

Um quadro na parede

SÃO PAULO (capacete estréia, motor se despede) – O arqueólogo Caíque Pereira nos brinda com informações sobre o traçado de Jacarepaguá dos tempos de sua inauguração. A saber:

Uma vez você me perguntou como era o Autódromo do Rio até 1970. Anexo se encontra a planta tirada do programa dos 1000 Km da Guanabara em que correram o GT 40, a Lola T70, Alfa P33, o Fusca Bimotor e que foi ganha pelo Lorena Porsche 2000 pilotado pelo Giu Ferreira e pelo Heitor Palhares.

A pista foi modificada depois, virou palco da F-1 e hoje é picadeiro do alcaide. Está prestes a se transformar apenas numa foto para colocar na parede.

28 comentários

  1. Caique Pereira disse:

    Felipe W e novos Amigos,
    Nunca fui amigo de Blogs, mas como quando mandei pro FG a Planta do Autódromo antigo e ele me disse que já a tinha colocado no ar, entrei prá turma. É sempre bom a gente trocar as recordações e idéias com aqueles que gostam dos mesmos assuntos. Sobre o livro, inicialmente seria um Livro de Arte, como os que o Paulo Scali lançou sobre a Gávea, o Landi e Interlagos. Quando vi que tem muita memória para ser reavivada e redescoberta mudei para um livro de referência (pô isso dá o maior Status… o cara fez um Livro de Referência…), aí che guei a conclusão de que o melhor seria fazer um Livro de História do Brasil 1930 -2000, através dos Carros de Competição daqui. Não falarei dos Pilotos. Sei lá o Livro deverá ter umas 500 páginas e mais de uma centena de fotos. No início era para demorar cerca de 2 anos, agora acho que somentye em 2007 (ou 08 no início ele estará pronto, pois conversando com os pilotos, principalmente os de 60/70 sou capaz de ficar ouvindo e gravando horas, porque me lembro de garoto levado para a Barra, o Fundão e para o antigo Jacarepaguá e eu estava no meio-fio ou numa arquibancada de madeira torcendo para os caras que hoje conheço e converso pacas.. Por isso não tenham dúvidas quando não tiver certeza, encherei o saco de todos. Abração.

  2. Filipe W disse:

    Oi Caique,

    Otimo quanto mais fotos melhor, fotos bacanas daquerla época nunca são demais!

    achei muito legal a sua idéia do livro, eu mesmo tinha vontade de fazer algo assim, pois acho que em termos de criatividade automobilistica aquela época não tem igual, se precisar de alguma ajuda é só falar.

  3. joaquim disse:

    Ao Caique e Veloz HP
    Insistindo no tema Lorena, o primeiro que vi nas pistas pertencia a um piloto paulista Flávio de Paula radicado em Goiás, que estreou nos Mil Km de Brasilia em 68. O segundo foi o do Olavo Pires/George Pappas, do DF, aí por 68/69. Sem dúvida o mais bem sucedido foi o Lorena-Porsche (vi o carro nos 1000 Km de 70, estréia do Fúria -FNM, vitória do Toninho da Matta/Clóvis Ferreira, no Puma da Carbel, que havia pertencido ao Marcelo Campos). Havia também um Lorena da Auto Minho de Goiânia, recordo deste numa prova em volta do Circuito do Mineirão. Há uma referência duma participação nos Pinhais com Roberto Gomes, aí por 69/70, não sei se é o argentino antigo piloto das Simca. Em 70, apareceu um em Interlagos ganhando todas as provas de estreantes (quem ainda se lembra?), acho que o piloto era Jacob Korouzan. Depois soube que houve algumas participações em provas regionais do Rio, mas não tenho maiores referencias. Vou citando de memória, é provável que tenha esquecido de muita gente.Abs.

  4. VELOZ-HP disse:

    Caique e Joaquim, acho que posso ajudá-los com informações sobre o Lorena.
    Gary Ferrer, proprietário da Ferrer Motor Corp. dos EUA, foi o criador do carro.
    O chileno ou espanhol de nome León Lorena, comprou os direitos de fabricação para a América do Sul e Europa, dando-lhe o seu nome.
    Em seguida veio ao Brasil com os planos de fabricação e, em junho de 1967 começou a fazer os moldes.
    Ao Sérgio Cardoso pertenceu o primeiro carro, testado em diversas corridas.
    A partir de então o Loreta GT passou e ser montado numa pequena linha de montagem localizada no bairro do Cambuci em São Paulo.
    As carrocerias em fibra de vidro eram montadas em plataformas do Fusca 1300, inalteradas em suas dimensões, como largura ou distância entre eixos e os freios a tambor.
    O motor tinha 1600 cc com 2 carb. Solex 32 mais escapamento Kadron, recita básica da época.
    Isso foi até 1971, quando no ano seguinte foi lançado o Lorena RM, esse projetado pelo próprio León e que na minha opinião foi um tiro no pé, pois o charme e beleza do anterior se foi.
    Nem o fato dêle já vir de fábrica com o motor 1750 cc e 2 Solex 40 ajudaram, nem também a opção de se poder usar um chassis já usado ou o do seu próprio Fusca velho, nem tampouco o fato desse novo carro ter 4 lugares o salvaram.
    O fato é que o RM era mais feio e mais caro que o GT e então, com essas “inqualidades” o comprador preferia adquirir um Puma, muito mais bonito e tecnològicamente mais moderno, com o chassis do Fuscão, freios a disco, várias opções de motores e uma melhor estabilidade, além da versão conversivel.
    Foi uma pena, o León deveria ter melhorado a mecânica do GT, aprimorando-a, ao invéz de fazer um carro novo. Certamente teria dado uma grande sobrevida à caranga pois ela era uma real opção a quem não queria ter um Puma, a quem queria um esportivo com uma cara mais racing.
    Talvez êla tenha tentado, na verdade, sair dos pagamentos de royalts que certamente o sr. Ferrer não deixava de cobrar.
    Abraços.

  5. Caique Pereira disse:

    Joaquim, Com relação ao Lorena creio que o diretor era ste Sr. Chileno, que pensou em fazer um modelo exclusivo, que inclusive foi capa da 4 Rodas, mas acho não o lançou. Se o fez não produziu mais 2 ou 3. Na 4 Rodas nesta reportagem dá até o bairro onde seria a fábrica, creio que era Cascadura.

  6. Caique Pereira disse:

    Joaquim,

    Mantenho com o Sidney e o Luiz Felipe contatos quase que diários, isto quando não estou com eles, pois estou escrevendo um livro sobre os Carros de Competição fabricados no Brasil desde 1933 até 2000. Com relação ao GT 4o posso dizer algumas coisas bem interessantes, vamos lá:
    1 – o carro que o Sidney comprou foi o GT 40 reserva do Jackie Ickx em Le Mans 68.
    2 – Quando parou de correr o Sidney vendeu o carro para o Wilsinho, que deu uma bela panca com ele em Interlagos.
    3 – O Greco depois comprou o carro e o Paulão bateu ( se não me engano capotou) EM TARUMÃ.
    4 – O carro está sendo vendido atualmente num site – não sei qual – pela bagatela de US$ 500.000,00, acho que sem motor e caixa.
    5 – Foi o carro de competição importado mais bonito que correu no Brasil.

    NOTA INTERESSANTÍSSIMA: Um colecionador Inglês est´[a vendendo o Copersuccar F5A – Chassi 02, conforme Autosport de 2 de março de 2006 – não diz o preço. Ano passado p Fittipaldi F7 / Skol foi anunciado na Motorsport Classic por £175.000,00, sem motor e caixa, se tivesse grana tinha comprado e também compraria o F5A.

  7. joaquim disse:

    Caíque, grato pelas informações. Me tira uma dúvida: o presidente da empresa que fabricava o Lorena não era o chileno Leon Lorena, daí o nome? E já que tocou no assunto e te explorando mais um pouco, o GT-40 do Sidney é o mesmo que depois andou nas mãos do Grecco? Abs.

  8. Caique Pereira disse:

    Joaquim,

    O Kg dos Varanda eram o do Pace e do Wilson, este último sem motor, pois a bagaça como adora dizer o Flávio, foi colocada no Fitti-Porsche. O Do Pace depois foi comprado pelo Sidney Cardoso e estreou pintado de Branco, azul e vermelho (assim como o Lorena) com o numero 2, pois o Pace não disputava provas do Carioca. Quando o Sidney acabou com a Equipe Arte e Instrução este KG foi vendido a um amigo que pretendia correr e não o fez, depois vendido ao falecido Nelson Balestieri, que capotou com a criança na curva da Ferradura (vide planta do Autódromo antigo) e o vendeu ao Vicente Domingues com a capota quebrada, aí o carro se perdeu. No mes passado o O Globo fez uma reportagem dizendo que foi achado um KG Dacon, etc,etc, e que ele tinha sido comprado por um colecinoador de Sampa, porém como estou atrás do KG 2, posso quase afirmar que aquele KG era um KG de rua com a carroceria que foi do Emerson, pois o Mesmo foi comprado pelo vendedor do carro ao colecionador em Nova Iguaçu, mesmo local para onde foi vendido pelo Sidney a carroceria do Emerson, já batida ( a do Lorene foi colocada porque o Sérgio Cardoso e o Ailton Varanda correram as 1000 Milhas de 67 e o Varanda bateu no Sol, daí deu ao Sérgio a carroceria do Lorena que estava sendo lançado no Brasil por uma empresa da qual era dono o Presidente do Vasco da Gama, o Sr. João Silva).

  9. joaquim disse:

    Ô Caique, eu achava que a plataforma do Lorena-Porsche era a mesma que havia pertencido ao KG dos Varanda, não sei por que, talvez pelo fato de ambos serem de Petrópolis.Abs.

  10. Caique Pereira disse:

    Veloz e Felipe W.,
    Também vou mandar uma foto do Berlineta-Simca pro Flávio. Com relação ao Lorena o chassi KG que ele tinha era o do KG usado pelo Emerson. Dentro em breve vou mandar as fotos dele em 68/69 e 2006, isto mesmo, 2006 para o Flávio e ele vai poder explicar à respeito.

  11. Filipe W disse:

    Oi Veloz-HP

    Beleza pura, tomara que o Flávio não regule e coloque as fotos no ar assim que o sedex bater na casa dele.

    Já de antemão agradeço pela contribuição a nossa cultura automobilistica.

    Um abraço

  12. VELOZ-HP disse:

    Caique, mandei para o Flávio umas fotos antigas e entre elas está essa berlineta Interlagos-Sinca do Ricardo Achcar.
    Certamente êle irá publicá-la para matar a galera do coração.

  13. Filipe W disse:

    Oi Joaquim,

    valeu pela informação, e aproveito para ratificar aquilo que vc me perguntou sobre o Lorena, finalmente achei, nas revistas de época, e realmente o Lorena que o Giu ganhou os 1000 km da Guanabara foi montado em cima da mecânica de um dos KG Porsche da Dacon, ufa essa deu trabalho, tem até uma foto na quatro-rodas mostrando o carro com pintura do colégio arte e instrução, pena que a foto fica na quebra da página e fica meio ruim de escanear pois como a revista é velha corre o risco de desmantelar tudo, mas se achar alguma outra foto te mando.

    Um abraço

  14. Caique Pereira disse:

    Joaquim, Antigo e Veloz HP (Não dá para não me lembrar do Giu e do Newcar Protótipo com este nome, mas acho que você também é do nosso tempo, não sei se Carioca, embora não acredito que seja o Newton, pois sei onde ele mora e seu telefone). O Legal de ver a Planta do Antigo Caledônia/Autódromo de Jacarepaguá é a gente se lembrar dos Dacon, do Fitti-Porsche, Do protótipo Bimotor VW Jamaro, dos Malzones, dos DKW com o Marinho e o Bob,dos Alpine Mark I, das berlinetas com o Luiz Felipe e o Pedro Victor Delamare , dos F-Vê e dos Simcas, Abrath`s e do Protótipo ELSAB-OK do Ricardo Achcar, uma Berlineta com motor central Simca V8, que andava prá caramba mas fervia depois de 5 voltas e prá terminar lembrar da Lola e do Ford GT 40. Que o tempo passa a gente sabe, mas que estas cenas poderiam ter Fitas integrais guardadas, ah isso poderiam. Grande abraço.

  15. joaquim disse:

    Rapaz, Luiz Felipe da Gama Cruz… quem diria, foi um dos nossos precursores lá fora, andou de F-Ford britânica com algum sucesso aí pelo inicio dos 70. Depois, parece que a grana acabou… e aí já viu… milagre não se faz. Bom saber dele, mais um injustiçado e esquecido pela nossa mídia. Abraços a todos.

  16. antigo disse:

    Concordo com os dois comentários, Joaquim. Parece que nós tres, Caíque inclusive, somos daquele tempo. Abs.

  17. Caique Pereira disse:

    Joaquim,
    Perfeito, hoje o Luis Felipe da Gama Cruz comentava exatamente isto comigo. Bem Lembrado.

  18. joaquim disse:

    Ainda está em tempo de reparar uma injustiça histórica: aqui nessa pista, lá pelos idos de 72, é que iniciou-se a Opala Stock car, uma iniciativa dos pilotos cariocas, com um regulamento muito próximo do que seria depois a Div.-1. Algumas provas foram disputadas com a presença de Amauri Mesquita, Norman Casari, Giu Ferreira, Aurelino Leal, entre outros, e não em 1979, em Interlagos, como a maioria afirma. É ou não é, Antigo?

  19. VELOZ-HP disse:

    Vejam também que beleza o anel externo.
    Imaginem os Stock Car de hoje virando aí.

  20. VELOZ-HP disse:

    Não que seja melhor que o atual, mas esse traçado é simples e lindo.
    A Curva Sul é inesquecivel e a entrada do S é curva prá macho.
    Espero que o pessoal de Santa Catarina veja esse desenho e reconsiderem aquele futuro e imerecido “Travódromo”.

  21. Filipe W disse:

    Fala Joaquim,

    ainda não esqueci de verificar o Lorena Porsche do Giu, mas as revistas são muitas e o tempo por causa do trabalho é curto, mas assim que achar eu mando pra vc a foto do dito cujo

  22. Alexandre Reis disse:

    Ah em tempo o MALA não é por ser chato não tá. É a outra mala mesmo.

  23. Alexandre Reis disse:

    Quadro não, mais que vai ser impressa e guardada vai.
    Caraca Gomes como eu gosto desse autodromo.
    Fora cesar MALA. (Escrito assim mesmo)

  24. joaquim disse:

    Esse circuito traz várias recordações: nunca passei tanta fome, sede, os mosquitos quase me engoliram durante os 1000 km da Guanabara de 69, onde tentamos inutilmente classificar para a largada um protótipo VW de fundo de quintal. O Sidney Cardoso chegou em cima da hora pra classificar o GT-40, empurrou o Alex Ribeiro e uma turma de Brasilia pra fora do pelotão de 33 carros. No fim, fizeram um acordo, eles largaram e nós, assim como outros, ficamos de fora pra apreciar a belíssima vitória do Lorena-Porsche do Giu Ferreira?Heitor peixoto de castro. O Antigo descreveu à perfeição o que era andar nesse circuito, só esqueceu de dizer que o piso era uma tragédia para suspensões mais refinadas como Alfa P33, Lola, e GT-40. Valeu!!!

  25. Fitti disse:

    Esta pista era maravilhosa, inclusive era chamada de “INTERLAGOS “, pois haviam lagos na parte sul. Eu estava la.

    Fitti, Campeonato Carioca Turismo, Carro #63, Corsa, Equipe speedrj.com.br

  26. fabio disse:

    na planta, lembra um pouco o de fuji, da década de 60(nada a ver depois da reforma pra receber a f1 ano q vem), q tinha um curvão bem inclinado, q foi desativado depois de um acidente em q morreram alguns pilotos…

  27. antigo disse:

    Esse traçado antigo era simples, aparentemente, mas muito gostoso e manhoso pra se andar.
    Algumas curvas, como a sul (no fim do retão), o “S”, a a norte, eram cabulosas, se entrasse mal, ou não terminava, ou o tempo não vinha. Interessante, era que a pista foi construida sobre um meio pantano, e foi feito um aterro, sòmente no traçado, ou seja, a pista era situada sobre uma elevação, se escorregasse um pouco mais, saia e capotava, pois o acostamento era um meio barranco.
    Bons pegas rolaram ali.
    Me lembro de um cara, não recordo o nome, num sábado de treino, vinha andando na minha frente, de DKW, (eu tambem), e, do nada, o cara desgarrou, saiu da pista, e claro, capotou. Deu tempo de ver umas duas capotadas, portas abrindo e fazendo aquela lenha, e, quando parei no box, fui saber do acidente. Conversando com ele, descobri que iria arrancar a cabeça do cara que soldou seu banco no piso do carro, pois o mesmo tinha simplesmente se soltado, e o cara caiu para trás, com banco, cinto e o escambau. O carro deu tres voltas, antes de parar, e o cara lá dentro, rolando que nem pião, com banco e etc. Já pensou? Bons tempos…

  28. André Buriti disse:

    Gomes, gostei dessa imagem, ainda não tinha essa, acho que é mais recente do que as que eu tinha.
    Teria como Caíque entrar em contato comigo? Essas imagens são muito raras e eu gostaria de colocá-las no SOS Autódromo RJ.

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