DOIS ANOS

D

keepfghtong444

SÃO PAULO (#KeepFighting) – No domingo em que Schumacher sofreu o acidente de esqui que hoje completa dois anos, devo ter acordado tarde. O Grande Prêmio já tinha dado a notícia quando liguei o computador para dar uma geral nas coisas, porque o Victor Martins me alertou por mensagem do que tinha acontecido. Vamos ver o que ele aprontou dessa vez, pensei, já escaldado pelos tombos de motocicleta e outras traquinagens do primeiro período de aposentadoria.

As primeiras notícias eram pouco esclarecedoras, continham poucos detalhes sobre a queda, mas davam conta de que ele estava bem. OK, que bom, pensei. Vou escrever um texto louvando a aposentadoria de um cara que se recusa a ficar em casa “coçando o saco e passando Hipoglós”, apoiando toda e qualquer maluquice que ele quisesse fazer, e o título do post, publicado às 13h26, foi “Vida loka”. Lembrei do Montoya, que caiu de moto, do Webber, que tomou um capote de bicicleta, do Senna, que foi atropelado por um jet-ski, do Mansell, que quase ficou fora de uma prova decisiva porque se machucou jogando bola. Minha tese: eles todos têm o direito de viver como quiserem. “E se o que ele faz para se divertir pode resultar numa cabeçada numa pedra, paciência”, decretei.

Era um domingo. Devo ter saído para almoçar, ir ao cinema, sei lá. Quando voltei, à noite, abri o computador. O mundo estava caindo. O pessoal do site, em plantão permanente. Foi só às 19h53 que voltei ao blog — bem atrasado, porque àquela altura todos já sabiam da gravidade da situação. Viramos a noite e a madrugada atrás de informações. Elas só pioravam.

Schumacher ficou alguns meses em Grenoble, depois foi transferido para a Suíça, hoje está em sua casa. Um ano atrás, meu espanto era pelo fato de não ter surgido uma imagem sequer dele depois do acidente. Tal espanto persiste. Mas não incomoda.

[bannergoogle] Penso apenas, como pensava no período em que Jules Bianchi ficou hospitalizado sem nunca ter recobrado a consciência, naquilo que se passa dentro de alguém que se encontra no estado em que Michael está. É duro para a família? Muito. Mas tendo a acreditar que depois de dois anos, do choque inicial, mesmo quem vive tão próximo acaba estabelecendo uma nova rotina, retoma suas atividades, procura tocar a vida — até porque não há muito mais a fazer. Seus filhos, Gina e Mick, devem ter amigos, vão à escola, devem sair para baladinhas, namoram, praticam esportes — a menina, equitação; o menino é piloto, o que lhe confere enorme dignidade.

Mas e Schumacher? Ele enxerga, escuta, se comunica, se emociona, chora, sorri, sofre? Sabe o que se passa a sua volta, sabe o que lhe aconteceu, é grato por estar vivo, tem lembranças do passado, é capaz de amar, de ser feliz?

Muitas vezes, manter alguém vivo é ato de egoísmo daqueles que cercam o moribundo, querem sua presença respirando do jeito que for, negam-lhe a morte sem levar em conta qual é a vida que está ali. Não, não estou propondo que matem todos aqueles que há meses, anos, décadas restam inertes em camas de hospital, que a morte é melhor do que um fiapo de vida, quem sou eu?, mas não consigo não pensar nisso, no desejo de quem não consegue dizer o que deseja, na impossibilidade da escolha, na agonia que deve ser querer morrer e não poder dizer isso a ninguém. Espero, do fundo do coração, que Michael não esteja passando por isso.

“Life is about passions. Thank you for sharing mine”, escreveu Schumacher no capacete no último GP de sua vida, em 25 de novembro de 2012. Foi aqui do lado, em Interlagos. Foi generoso com aqueles que o seguiram por tanto tempo, agradecendo a todos por terem dividido com ele a paixão pela velocidade, pelas corridas, pela Fórmula 1.

A vida não foi generosa, com ele, porém. Ou, talvez, esteja sendo, não sabemos. Pode ser que um olhar, um esboço de sorriso, um pequeno gesto valham mais do que todas as vitórias e troféus, do que toda a fortuna e fama. Só ele sabe, e acho que ninguém tem o direito de tentar adivinhar.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

24 Comentários

  • Gostei do texto mas acho que a vida foi extremamente generosa com ele. Tudo bem que neste momento já podemos dizer que não existe vida ali…. mas enquanto houve ele pode viajar o mundo inteiro, conhecer pessoas influentes, adquirir bens materiais, gozar do prestigio de ser sete vezes campeão mundial, correr, esquiar… A vida não se mede com os números de dias vividos… uns vivem muitos anos e não vivem prazeres algum… outros vivem menos ou bem menos… mas vivem o gozo de vive-las intensamente.

  • Será que ele vai superar a limitação que se abateu sobre ele, vencendo assim o maior dos desafios que surgiram em sua vida? Será que ainda veremos o grande campeão despertando e tomando posse de sua consciência, sequelada ou não? E o corpo, como reagirá, caso isso aconteça? E se ele partir antes de retornar?

    Muitas perguntas. Nenhuma resposta. E toda uma torcida.

  • Belo texto. Mas fica difícil sentir solidariedade por um sujeito tão autocentrado –o gesto do capacete foi demagogia, marketing de ‘public relations’ (bem óbvio isso). O mesmo vale para o Senna. Admiro de longe, mas gente com quem nunca conversei me é indiferente. (Para a família é triste sim. Mas para várias é –mais. Muito mais. Moramos no Brasil, esse cara teve vida privilegiada e a família dele vai ter. Ponto.)

  • Creio que este seja o pior cenário que uma família pode ter. Não parece ser um daqueles comas que a pessoa, do nada, acorda e já fala, sorri, quer se levantar, enfim, volta a viver, mas sim um coma que torna a pessoa um vegetal. E segundo as poucas informações, o atual estado é o de que ele não esta em coma, mas não interage fisicamente a não ser pelo olhar, que não diz muito se sente, se emociona, sabe quem é, como diz o texto do Flavio. Parece mais é um calvário na Terra! Uma prisão no próprio corpo sem direito a manifestação! Melhor seria…. ter morrido e recebido as devidas homenagens que lhe cabe! Realmente, penso que ninguém merecia passar por isto, mas especialmente neste caso do Schumacher, acho até de uma certa crueldade… Ok, como piloto foi quase um Diabo para os adversários, mas neste ramo os bonzinhos não são nada, mas como pessoa parecia ser generoso, justo, boa gente. Não merecia mesmo…

  • A família está seguindo um planejamento rigorisíssimo, a ponto de blindar o vazamento de fotos e informações. Imagino que cláusulas pesadas nos contratos dos funcionários os impeçam de divulgações. Agora são dois caminhos: o piloto se recupera a um nível aceitável e isso é revelado, como uma vitória. Ou não se consegue essa recuperação, e será anunciada a derrota. A equipe médica e a família devem acreditar que ainda é possível vencer. O que mais me encafifa é a situação da torcida alemã, em particular. Definitivamente não é justo deixá-los no vácuo por tanto tempo, afinal o piloto deve a sua fama e fortuna aos seus fãs, que merecem consideração.

  • Sabe, entendo a postura da família em não divulgar informações, mas acho que eles deviam pingar uma ou outra informação oficial e independente , acho que os fãs do Michael merecem. A família trata como se todos quisessem apenas sensacionalismo, mas como admirador gostaria de saber daquele que acompanhei e torci por anos, aliás, contínuo torcendo, agora pela sua vida. Eu como muitos estou apenas interessado em alguma notícia , essa especulações apenas aumentam o sensacionalismo no assunto.

  • Imagino eu que o estado de saúde de shumacher seria o de ”estado vegetativo”.Nesse caso resta a família mante-lo vivo ou ñ. A Eutanásia, desligar os aparelhos e deixa-lo ir. Mante-lo vivo artificialmente também pode ser distanásia, quando ñ há mais nada a ser feito e a família insiste em mante-lo vivo. Segundo algumas correntes espiritualistas devesse mante-lo vivo até o fim. Ñ sou médico, longe disso, mas imagino que a família queira mante-lo ”vivo”.Imagino eu que o shumacher que vimos pode estar vivo no ‘mundo espiritual” ,fazendo coisas, relacionando-se vivendo aprendizados enquanto continua preso ao corpo na terra. É a minha visão pois sou espiritualista com viés espírita. È o meu ponto de vista como todos tem um. Vale lembrar uma frase de Fernando Pessoa:”A morte é um boato”.

  • Prezado Flavio, seu texto está perfeito.
    ….Mas embora eu concorde que ninguém tem o direito de criticar nada pelos motivos que você, perfeitamente, apresentou, deixo uma opinião:

    Schumacher, pelo que li, morreu no Helicóptero e foi ressucitado. Eu sou contra esse ato desesperado de evitar a morte. Era “meio óbvio” que a cabeça tinha sido afetada. Ressucitar um paciente é muito anti-natural, não?

    Ora, o que eu sei sobre isso? Nada.
    Quem sou eu pra opinar? Ninguém.
    Que diferença faz minha opinião? Nenhuma.
    …Mas só estou partilhando uma opinião que, eu sei, é inútil.
    Acho que sempre vale refletir sobre atitudes desesperadas pela natureza do fim da vida.

    Talvez Schumacher não esteja sofrendo…..mas talvez esteja.
    Será que era necessário?
    A resposta está em sua postagem. Ninguém sabe.
    Mas há de se refletir.

  • Deixem o cara em paz!! Respeitem a decisão da família dele de não querer dar maiores informações sobre o seu estado de saúde! A família quer privacidade, para ele se recuperar longe dos “holofotes” da imprensa (que só atrapalhariam ao invés de lhe ajudar). Michael Schumacher não precisa de “dó” de ninguém mas sim ser respeitado por todos pela decisão que a sua família tomou para o seu “isolamento”. Então, para aqueles que realmente gostam do “schummy” que respeitem a decisão tomada pela sua família!!

  • Estive no YouTube revendo as corridas de kart que ele participou (Paris -Bercy em 1994, Mundial em 2000, Kart das estrelas em 2007).
    Como andava esse cidadão. Tive a sorte de ver esse gênio. Outro desse só daqui 200 anos.

  • Achei bacana o texto com a retrospectiva daquele dia.
    Hoje quando vi a capa do GP, minha primeira reação foi exatamente buscar nos arquivos do blog o que você havia escrito naquele dia.

    Aquele foi um dia triste. Torcendo sempre pelo Schumi.

  • Oi Flavinho
    Uma pena muito grande o que aconteceu com o Schumacher. Ele e o Senna realmente estavam em outro patamar. Muito estranho a família tampouco divulgar notícias sobre a sua evolução.

    Abraços e Feliz 2016

  • Muito triste esse “final”, e como o tempo passa rápido, já faz 2 anos!
    Desde então os fãs estão com um enorme ponto de interrogação na cabeça, porque não há nenhum registro do acidente (dificilmente vão divulgar o conteúdo da GoPro ao publico), nenhum boletim médico mais detalhado, nada.
    A familia tem total direito de nao divulgar nada (até fico impressionado como eles conseguiram isso nessa época de smartphones, facil acesso a Internet), então como um dos posts acima mencionou, resta a nós relembrar os momentos de sua carreira e no fundo fica aquela torcida pra que alguma boa noticia surja em algum momento.

  • Penso que todos devem parar de buscar informações sobre a real situação de Schumacher, parar de vez com as entrevistas com médicos e as especulações sobre sua saúde , as tentativas de informação junto às poucas pessoas que puderam visitar Schumi. Vamos todos respeitar a vontade intransigente de sua esposa e acessora que teimam em não reconhecer que Schumacher é sim persona pública com milhões de admiradores mundo a fora, e que por isso sua condição é sim de interesse público. Vamos todos deixar de falar sobre este assunto e ficar com as muitas lembranças e histórias da carreira de Schumi, não faltam fatos para boas conversas e matérias jornaliscas. Deixemos Corina e Sabine em sua tão desejada reclusão, logo a acessora deixará de ter serventia pois uma pessoa nas condições que imaginamos Schumacher não necessita de acessor de imprensa, muito menos ainda de alguém como Sabine, tão tenaz em sonegar informações. Caso Schumacher recupere sua capacidade de expressar sua vontade ele mesmo dará fim a tanta angústia e dará a todos as tão desejadas notícias, ou até mesmo mantenha o isolamento caso seja sua vontade. Até lá vamos deixar o assunto de lado e seguir falando apenas de sua brilhante carreira de piloto.

  • Estava pensando nisso esses dias. tenho um tio de 76 anos que sempre se cuidou muito, que até 3 anos atrás esbanjava disposição, trabalhava em sua empresa todos os dias, dirigia, viajava e, de repente, por causa de uma doença, em 2 anos acabou ficando no mesmo estado que o Schumacher. A família se adpatou, a vida tem que seguir, há contas para pagar e coisas a fazer. No Natal, sentei um pouco ao lado dele e disse que não passaria o ano novo com ele, pois não poderei ir para a praia. Mas não faço ideia se ele entendeu. Ele está consciente, mas ninguém sabe o quanto e se o tempo todo. Creio que quem está ao lado do Schumacher tenha essas dúvidas também. Não me interessa ver uma foto dele, acho até que seria chocante demais, mas acho que a família poderia fazer um comunicado, informando o real estado dele, se anda, fala, está consciente ou nada disso, só para acabar com especulações.

  • A familia tem todo o direito de decidir o que informar ou não. Mas não sei se é um pouco de falta de consideração com os fãs.
    Torço para ele sair dessa como torço para qualquer outro na mesma situação.
    Acho que o ser humano é muito egoista em certas ocasiões.
    Quando existe alguma esperança da pessoa se recuperar, é claro que devemos tentar, mas quando essa recuperação é impossivel, para que prolongar o sofrimento de todos? Já perdi, por doenças incuraveis, algumas pessoas muito proximas e, quando estavam em situação irreversivel, juro que torci muito para que elas se fossem o mais rapido possivel. Não por mim, mas por elas, pois já não viviam. Apenas vegetavam em uma cama de hospital.
    Acabamos com o sofrimento de um animal de estimação, quando este é desenganado, mas não nos permitimos fazer o mesmo com pessoas queridas.
    Incoerencias do ser humano. Não podemos ver um animal sofrer, mas prolongamos o sofrimento do ser humano…. Vai entender…
    Que Schumacher se recupere plenamente. Não sou fã dele, mas como ser humano é o que desejo à ele.

  • Pois é, como é viver uma vida sem paixão, sem poder fazer aquilo que mais ama, que é o risco… a adrenalina, o frio na barriga?! Parece muito do MIto de Sísifo…empurrar a pedra morro acima, para vê-la tão somente cair, como punição dos deuses… todos os dias… Me parece a Nemêsis de Schumacher não poder ser Schumacher com toda a sua potência, com todo o seu infinito ainda que sua vida seja finita…A vida é o durante, é no devir… e pelo visto neste aspecto, este durante do Schumacher queria mais intensidade, mais sensação de estar vivo do que chegar até a linha de chegando vivendo como se estivesse morto…

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

dezembro 2015
D S T Q Q S S
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031