ONE COMMENT

Esse bonequinho, o da foto maior, é o Topolino elétrico, que a Fiat vai lançar em breve. É o mesmo carro da Citroën, o Ami, que tem sua versão Opel, o Rocks-e. Dizem que vai custar, na Europa, o equivalente a 50 mil reais. Fiat, Citroën e Opel são da gigante Stellantis, que tem mais um monte de marcas sob seu chapéu. Está chegando o dia em que teremos só duas montadoras de automóveis no mundo, duas marcas de computadores, dois refrigerantes, dois tênis, duas big-techs, dois de tudo. Mas o comentário não é esse. O comentário é: um desses aí eu teria.

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ALONSOLÂNDIA (2)

Verstappen comemora sua 24ª pole: massacre na Catalunha

SÃO PAULO (deu dó) – Max Verstappen, seu malandrinho… Precisa fazer isso? Enfiar quase meio segundo no segundo colocado numa pistinha de voltas tão curtas? Não basta ganhar, fazer poles, conquistar títulos? Precisa sapatear sobre todo mundo?

Bom, mesmo se não for intencional, é o que o holandês da Red Bull está fazendo. Com 1min12s272, Max fez a 24ª pole de sua carreira e empatou nas estatísticas com Nelson Piquet e Niki Lauda. O segundo no grid, Carlos Sainz, ficou 0s462 atrás. É sua melhor posição de largada no ano. Lando Norris, o terceiro, terminou a mais de meio segundo de distância. Também conseguiu seu melhor grid de 2023.

Se nada de estranho acontecer, Verstappen ganha amanhã o GP da Espanha sem muito esforço. As chances dos adversários até existem, mas dependem de alguns fatores que fogem de seu controle. Um porre de sangria hoje à noite, por exemplo, e uma ressaca devastadora. Mas Max não tem esse hábito. No máximo, vai jogar videogame à noite depois do jantar. Que se for no Sete Portes, um restaurante caça-turistas na Barceloneta, pode lhe dar uma dor de barriga. Mas não será. Provavelmente vai pedir um misto quente no quarto para dormir cedo. Um assalto nas Ramblas seguido de sequestro e pedido de resgate? Essas coisas não acontecem assim com frequência na capital da Catalunha, ao contrário. A cidade é segura, desde que você não deixe sua carteira em cima da mesa no calçadão enquanto vai ao banheiro. Perder a hora amanhã, ficar preso no trânsito? Não, a corrida é de tarde, dá para fechar a conta ao meio-dia que chega a tempo para a largada. No nosso horário, às 10h.

Sainz, segundo no grid: melhor posição de largada no ano

Resta a chuva. Que hoje deu as caras nas primeiras horas da manhã, molhou a pista e prejudicou o terceiro treino livre. Este não serviu para nada porque, depois que Logan Sargeant rodou, a sessão foi suspensa, a chuva apertou, deixou o asfalto molhado e poucas voltas foram completadas.

Mas parou depois da corrida de F-2, e foi nesse chove-não-molha que começou a classificação, com asfalto já seco e todos, pois, com pneus macios. Ainda havia água aqui e ali, é verdade, especialmente nas zebras e em alguns trechos um pouco úmidos que demandavam alguns cuidados. Não por outro motivo, Tsunoda, Alonso, Albon e Bottas rodaram, passearam na brita, não atolaram, voltaram. Os primeiros tempos anotados ainda não eram muito emocionantes, entre 1min14s e 1min16s.

Com tantos passeios pelas áreas de escape, que em Barcelona não são asfaltadas (exigência da MotoGP, que também faz corridas por lá), a direção de prova resolveu interromper o Q1 para limpar a pista, faltando 14min13s para o final. Apenas sete pilotos haviam registrado voltas e Gasly era o mais rápido. Um exército de vassouras se espalhou pelo circuito.

Alonso na brita, assoalho arrebentado: decepção com o resultado final

Faxina feita, sessão retomada, a preocupação de todos se voltava para o céu. Pingava de leve. Não o suficiente para exigir uma troca de pneus, mas o bastante para que o circuito fosse considerado, pela direção de prova, “tinhoso”. Como vocês sabem, se a direção de prova determina que a pista está “wet”, todos são obrigados a usar pneus de chuva. Não era o caso, porém. Quando o estado é definido como “tinhoso”, cada um usa o pneu que bem entender.

Do jeito que dava, Verstappen fez uma boa volta em 1min13s660 e depois baixou para 1min13s615 “antes que o céu desabe sobre nossas cabeças”, como disse, citando Abracurcix. Não foi exatamente o que falou, mas sigo em minha cruzada permanente para interpretar comunicações de rádio entre pilotos e equipes.

A sessão estava confusa, com pilotos que costumam avançar sem maiores problemas sendo atrapalhados pelo tráfego e pelo destino. Eram os casos de Pérez e Leclerc, que estavam fora do Q2 nos últimos minutos. A pista, sem chuva, melhorava claramente. Gasly, Hülkenberg, Norris e Hamilton foram fechando voltas muito rápidas e, em algum momento, assumiram a ponta. Pérez fez uma tempo mequetrefe e se safou, em 15º. Com 1min12s937, Lewis fechou o Q1 em primeiro, seguido por Norris e Russell. E, no grupo dos eliminados, apareceu uma Ferrari.

Leclerc, penúltimo: tragédia para o ferrarista

Pois é, Leclerc acabou em 19º, uma vergonha gigantesca para o time italiano. Bottas, Magnussen, Albon e Sargeant fora os outros degolados. Charlinho, pois, teria de largar na última fila. O que houve? Saberemos adiante neste mesmo texto, que obviamente foi sendo escrito na medida em que os fatos se sucediam na Catalunha, em tempo real.

Aqui valem parênteses, antes de seguir. Alonso, esta figura cada vez mais divertida, percebeu que Gasly atrapalhou Verstappen e entrou no rádio para… orientar os comissários esportivos! “Isso aí dá três posições no grid”, decretou. El Fodón é profundo conhecedor do regulamento. Se fosse parlamentar, seria uma espécie de José Genoíno, o cara que mais entendeu de regimento interno da Câmara dos Deputados na história. Fecho os parênteses. Poderia ter aberto e fechado com os próprios, mas curto esse estilo de interromper a leitura fluida e ritmada para dizer ao leitor: aqui valem parênteses. O leitor fica puto. Gosto de deixar o leitor puto.

Começou o Q2, e antes que as primeiras voltas fossem fechadas Leclerc apareceu na zona mista para dar entrevista. Resumidamente, falou que havia alguma coisa errada com seu carro. Achou que podiam ser os pneus, não eram. Talvez algo quebrado atrás. Disse que nas curvas para a esquerda o automóvel se comportava de maneira esquisita. Lembrou da infância dura nos morros monegascos. Dos tempos em que, na escola, sofria bullying por causa das bochechas rosadas. “Eles me chamavam de Rosinha”, contou. Mas e o carro, afinal, o que tinha?, insistiram os repórteres. “Vocês não sabem o que passei…”, continuou Leclerc, o olhar perdido no horizonte. “Chutaram minha mochilinha. Tinha um iogurte, quebrou o potinho, sujou meus cadernos. Eu, que era tão caprichoso, com meus cadernos sujos de iogurte… Como ia explicar aquilo à minha mãe?” A entrevista acabou e os jornalistas desistiram de descobrir o que aconteceu com o carro.

O grid: Gasly perdeu seis posições e larga em 10º

Enquanto isso, o pau comia na pista. Verstappen enfiou 1min12s760 na sua primeira tentativa, um ótimo tempo. Não pingava mais nada. O asfalto estava totalmente seco e ia emborrachando rapidamente. Hamilton subiu para segundo. Alonso, para terceiro. Norris, Sainz, Piastri Ocon… A lista dos que melhoravam suas voltas era robusta. Então, nos últimos instantes, Pérez foi para a brita, colocando sua passagem ao Q3 em risco. Com pneus sujos, abriu outra volta. E não deu. Mais um vexame do mexicano. Ficou em 11º. Russell, Zhou, De Vries e Tsunoda foram para o purgatório com ele. Pilotos de sete equipes diferentes passaram ao Q3: Red Bull, McLaren, Mercedes, Alpine, Ferrari, Aston Martin e Haas.

Aqui, mais um par de parênteses. Num momento dos mais intrigantes do Q2, Hamilton e Russell se encontraram no final da reta dos boxes. George aparentemente não viu o companheiro, que vinha descendo o cacete. Se tocaram. A asa dianteira de Lewis foi danificada. Foi algo bem estranho. George explicou que tudo não passou de um mal-entendido. Havia uma Ferrari de um lado, Hamilton de outro, ele se atrapalhou, faltou comunicação, aquelas coisas.

Norris, Verstappen e Sainz: o inglês da McLaren foi a surpresa

Enquanto pedia desculpas nas entrevistas, começou o Q3 com Verstappen cravando 1min12s272 logo de cara. Era um tempo inatingível. Quem tinha problemas era Alonso. O otimismo do início do fim de semana se esvaiu com um desempenho abaixo do esperado dos carros verdes, aliado a uma melhora perceptível da Mercedes em relação à ximbica do começo da temporada. Fernandinho também ganhou adversários inesperados, como Norris, Hülkenberg e a dupla azul da Alpine, todos na briga pelas migalhas que Verstappen deixaria para os rivais. Quando Alonso saiu para sua primeira volta rápida, a sessão já estava no final. Teria de encontrar um tempo decente para, pelo menos, se colocar nas duas primeiras filas.

Não conseguiu. Aliás, fez sua pior classificação no ano e terminou com o nono tempo. “Desta vez, um pódio vai ser difícil. A meta é chegar entre os cinco primeiros”, analisou, realista. E assumiu a culpa: o passeio na brita no início da classificação danificou o assoalho de seu carro. A Aston Martin teve de remendar a peça toda com silvertape.

Fernandinho decepcionado: “Minha culpa”

Verstappen não precisou nem fechar uma segunda volta para registrar sua quarta pole no ano. Sainz, piloto da casa que goza da mais constrangedora indiferença de sua torcida – são todos alonsistas –, parte ao seu lado na primeira fila. Em terceiro, uma grande surpresa: Norris, da McLaren. Na sequência vieram Gasly, com ótimo desempenho, Hamilton, num aceitável quinto lugar, Stroll, batendo Alonso pela primeira vez no ano, Ocon, Hülkenberg, Fernandinho (em nono, a 1s235 da pole) e Piastri.

Algumas horas depois da classificação Gasly foi punido com a perda de seis posições no grid, caindo de quarto para décimo — um pecado. Ele atrapalhou Sainz e Verstappen em voltas rápidas ao longo da sessão. Assim, Hamilton subiu para quarto e os demais, até Piastri, ganharam uma posição cada.

Como de hábito, Barcelona deve exigir pelo menos duas trocas de pneus em condições normais de temperatura e pressão. Com alguns carros teoricamente rápidos largando mais atrás — Alonso, Pérez, Russell e Leclerc –, talvez até tenhamos alguma diversão, Verstappen à parte. A possibilidade de chuva durante o dia é razoável, mas não necessariamente na hora da prova. Oremos.

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ALONSOLÂNDIA (1)

Alonso com a galera: reedição de 2005/06

SÃO PAULO (amanhã melhora) – Não vou dizer que o primeiro dia de treinos para o GP da Espanha foi dos mais empolgantes. Mas isso se explica: foi, na verdade, uma sessão de testes, talvez a primeira do ano depois de seis corridas em circuitos esquisitos — Bahrein à parte. A F-1, após a abertura do Mundial, correu em Jedá, Melbourne, Baku, Miami e Mônaco. Nenhum autódromo. Tudo rua, parque, estacionamento. Barcelona é uma pista, a pista onde se fazia a pré-temporada, onde tudo se experimentava num carro para saber se dava certo, ou não.

Assim, as duas horas de atividades hoje na Catalunha serviram para isso: para que as equipes tivessem a chance de conhecer seus carros um pouco mais a fundo. E como treino é treino e jogo é jogo, o que se viu foi cada uma fazendo um programa diferente a partir das muitas perguntas que as primeiras etapas do campeonato provocaram. O objetivo, buscar respostas um pouco mais conclusivas.

Os tempos do segundo treino: Verstappen na frente

Max Verstappen foi previsivelmente o mais rápido do dia, e se falei de falta de empolgação lá em cima, talvez tenha sido injusto com os torcedores espanhóis. Eles redescobriram Fernando Alonso, reeditando a euforia dos anos em que o asturiano foi um dos grandes protagonistas da categoria, conquistando os títulos de 2005 e 2006. E El Fodón não decepcionou, fazendo o segundo tempo da sexta-feira. Sua diferença para o holandês da Red Bull foi de apenas 0s170.

Surpresa, sem dúvida, a terceira colocação de Nico Hülkenberg. A Haas faz um péssimo campeonato e o alemão apareceu lá na frente. Não vai sustentar a posição por muito tempo, mas está na cara de que nessa pista o time não terá um desempenho patético.

Haas de Magnussen: conversas com a Alfa Romeo

Peço perdão ao amigo internauta, mas só achei, na pressa, uma foto de Magnussen — que ficou em 15º. O motivo, porém, nem era falar do terceiro lugar do incrível Hulk. E, sim, registrar a conversinha da semana. A Alfa Romeo, cujo contrato com a Sauber termina no fim do ano — na prática, a marca italiana “aluga” a equipe para colocar seu nome na F-1 –, estaria namorando a Haas para fazer o mesmo no time americano. Isso porque, como se sabe, a Sauber está sendo comprada pela Audi, que assumirá seu controle em breve para estrear como equipe própria em 2026.

Isso dito, voltemos a Barcelona. Os tempos foram baixos, na casa de 1min13s, porque a pista está mais rápida com a volta da sequência das curvas 13 e 14. Só como referência, ano passado, com a chicane antes da 13 e da 14, os tempos do grid ficaram entre 1min18s7 e 1min21s9. Elas, as curvas, foram usadas pela última vez em 2006. A F-1, na época, concluiu que ninguém conseguia fazer aquelas curvas velozes grudado no carro da frente porque perdia pressão aerodinâmica, uma vez que o ar oriundo do automóvel na dianteira chegava às asas de quem estava atrás cheio de turbulência. Estas, então, perdiam eficiência. E as ultrapassagens na reta dos boxes ficavam comprometidas porque o cara da frente sempre conseguia abrir uma distância segura do coitado de trás, às voltas com o ar turbulento.

Fez-se, então, uma chicane. Assim a velocidade naquele trecho foi assassinada e a última curva, originalmente rápida, passou a ser antecedida por uma chicane lentíssima. E ela ficou lá, sendo usada de 2007 até 2022.

Neste ano, desativou-se a chicane, já que os carros podem andar mais próximos uns dos outros como consequência do novo regulamento. A pressão aerodinâmica é hoje gerada mormente pelos assoalhos — o efeito-solo. Pode vir o ar turbulento que vier, não atrapalha muito.

Max em primeiro: favoritaço

Pista curtinha, tempos próximos: do primeiro ao 17º, menos de um segundo de diferença. Oh, quanta competitividade! Bobagem, o traçado encolhido em 18 metros com a supressão da chicane (de 4.675 m para 4.657 m) é que leva a isso.

A primeira vitória de Verstappen aconteceu em Barcelona em 2016, em sua estreia pela Red Bull. Ele agora busca a 40ª. Deve conseguir. Alonso é seu maior adversário. A Aston Martin tem um ótimo carro, um grande piloto num cockpit e um muito fraco no outro. Lance Stroll ficou nas últimas posições e já tem gente achando que, mesmo sendo filho do dono, desse jeito não vai dar. As pretensões do time verde são grandes, e nesses planos ambiciosos para um futuro não muito distante talvez não caiba um piloto ruim. A ver.

Breves notícias, agora:

MADRI? – Andam falando que a F-1 quer uma corrida de rua em Madri a partir de 2026. Corrida de rua é a tara da Liberty e de Stefano Domenicali, CEO da F-1. Sobre isso, falou Lewis Hamilton: “Não gostaria de perder circuitos clássicos como Barcelona”. A pista catalã está no calendário desde 1991. O inglês também citou Hungaroring e Silverstone. “Essas provas têm de estar sempre no campeonato.”

PODS NOVOS – Mercedes e Ferrari têm modificações bem visíveis em Barcelona. A Mercedes, OK, estreou os novos sidepods, suspensões dianteiras e assoalhos em Mônaco. Mas Mônaco não conta. Podiam ter ido com uma Osella 1989 que daria na mesma. Agora, sim, saberemos se funciona o novo pacote. E a Ferrari foi atrás da Red Bull e também copiou suas laterais, acabando com aquelas banheiras que ficavam ao lado da tampa do motor.

GEMIDÃO – Gracejo do dia: Verstappen querendo saber pelo rádio se tinha algum celular tocando ali do lado de seu engenheiro no pitwall. “É o do Helmut?”, perguntou. O engenheiro, meio sem graça, respondeu que sim. Como toca o celular de Helmut Marko ainda não sabemos. Mas intuímos.

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N’ARGENTINA

SÃO PAULO (mucho lôco) – É na Argentina que a Netflix está gravando cenas do documentário sobre Ayrton Senna, que deve ser lançado no ano que vem. Estão sendo usados, como locação, o autódromo de Buenos Aires e uma pista em Balcarce, cidade de Fangio. Abaixo, dois carros cenográficos construídos por lá. Neste link aqui, mais algumas fotos. Manolo Techera mandou.

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FOTO DO DIA

Gracinha da Mercedes hoje no Twitter… A legenda: “Próxima parada, Barcelona”.

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FOTO DO DIA

É de anteontem, mas não pode ficar sem pelo menos um registro aqui o leite de Indianápolis. Joseph Newgarden foi o escolhido pelo colosso oval neste ano.

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Alonso & Ocon: ex-companheiros de Alpine, juntos no pódio

SÃO PAULO (muita fofura) – Começo com a foto que mais gostei do fim de semana. Se a corrida não foi grande coisa, como disse ontem, muita gente ficou genuinamente feliz com o resultado. A turma da Aston Martin e a galerinha da Alpine, principalmente. Na Red Bull, o resultado foi recebido com naturalidade. Ainda que não tenha sido a mamata que muita gente imagina — explicamos adiante.

Alonso foi lá abraçar Ocon. Alonso foi lá abraçar Ocon na Hungria, também, quando o francês venceu seu único GP, em 2021. E era companheiro dele. Poderia ter ficado, hum…, ressentido. Lembro quando Johnny Herbert ganhou em Nürburgring/1999. Foi a primeira — e única — vitória da Stewart na F-1. Barrichello, um piloto muito melhor que o inglês, não teve essa honra. E posso testemunhar, porque estava lá. Não ficou feliz pelo companheiro de equipe. “Essa vitória era para ser minha”, falou, no túnel que passava debaixo da pista, ligando o paddock à antiga sala de imprensa.

Eis a lição, que deve valer para todo mundo. Ficar feliz pelo outro é bonito.

Abaixo, aproveitando o ensejo, uma galeria da felicidade. Com destaque para a última foto, de Alonso infiltrado junto ao pessoal da Red Bull. E, também, para a série publicada pela Aston Martin, com funcionários de várias áreas da equipe posando com o troféu de segundo lugar. Na F-1, outra lição, um troféu é de todos.

O NÚMERO DE MÔNACO

39

…vitórias agora tem Verstappen pela Red Bull, tornando-se o piloto que mais ganhou pelos energéticos. Estava empatado com Vettel.

Muita gente me perguntou (mentira, ninguém; só li um comentário aqui e algumas coisas no Twitter) se Alonso ganharia se em vez de colocar pneus médios na volta 54 tivesse optado pelos intermediários, o que evitaria uma segunda parada. Um rapaz aqui nos comentários disse que um perfil chamado Ressaca no YouTube (nunca assisti, portanto não posso opinar se é bom, ruim, interessante, cascateiro, nada; não sou usuário de YouTube e não vejo nada) fez as contas e “provou” que a Aston Martin perdeu a corrida aí.

Bom, Alonso e a própria Aston Martin disseram, depois da prova, que não venceriam de jeito nenhum, mesmo se não tivessem arriscado os slicks. Algo que considero um erro, embora a justificativa faça algum sentido: tentar algo diferente para buscar a vitória, caso a chuva ficasse só num cantinho da pista. Como a chuva se espalhou, o time foi obrigado a chamar o espanhol novamente para colocar intermediários. Perdeu tempo, claro. Mas não a corrida. Entre os cálculos realizados por um perfil no YouTube e as contas feitas por uma equipe com 800 funcionários e um piloto bicampeão mundial envolvidos no episódio, tendo a dar maior peso ao que informaram equipe e piloto.

O que aconteceria se Alonso colocasse intermediários direto? Terminaria o GP em segundo, mais perto de Verstappen. Isso porque estaria na mesmíssima estratégia que o rival, que parou uma volta depois. Não sei quais foram os números usados pelo canal no YouTube, mas os que tenho à disposição indicam que piloto e equipe tinham razão ao dizer que não iria mudar muita coisa. Vamos a eles.

Os tempos nas voltas decisivas: Alonso perdeu tempo, não a corrida

Na volta 51, a última com pista ainda seca, Verstappen (#1) virou 1min17s427, contra 1min19s991 de Alonso (#14). A diferença entre eles era de 11s444. Na volta 52, os tempos subiram dramaticamente, com o trecho entre a Mirabeau e a entrada do Túnel já molhado. Verstappen fez 1min24s046 e Alonso, 1min24s967. A diferença subiu para 12s365. Foi nessa volta que Bottas (#77) e Stroll (#18) pararam e foram os primeiros a colocar intermediários.

Na volta 53, ambos com slicks — Verstappen com médios, Alonso com duros –, os tempos subiram ainda mais: 1min29s919 para o holandês, 1min30s862 para o espanhol, diferença em 13s308. Bottas, com intermediários, virou 1min32s154. Como se vê, esse pneu ainda não era o ideal, mas seria instantes depois. Na volta 54, então, Alonso parou. Colocou slicks, um erro evidente pela condição em que o asfalto se encontrava. Verstappen, ainda na pista e também com slicks, fez sua volta em 1min38s946. Bottas, nossa referência de intermediários, virou 1min32s720.

Então, na 55, Verstappen parou e colocou os pneus de chuva. Alonso voltou aos boxes para fazer o mesmo. Bottas virou essa volta em 1min38s747. A pista tinha piorado bastante. Na volta 56, todos já com seus pneus intermediários, a diferença de Verstappen para Alonso subira para 23s141.

Alonso perdeu 25s916 em sua última parada. A tentação de fazer uma conta simples é enorme: se perdeu 25s916 nos boxes e a diferença depois do pit stop era de 23s141, se não tivesse parado uma segunda vez estaria 2s775 à frente de Verstappen se colocasse os pneus corretos!

Esse é o erro essencial, de querer simplificar as coisas e transformar uma corrida de carros, na chuva, em conta de somar e subtrair — sem considerar variáveis como o tempo necessário para aquecer pneus e tráfego, para ficar apenas com duas delas.

O que nos interessa aqui, damas & cavalheiros, é o momento da primeira parada para tentar imaginar o que aconteceria se Alonso colocasse pneus intermediários. E não o da segunda, quando a merda já estava feita.

Na volta 53, Alonso estava 13s308 atrás de Verstappen. Se colocasse intermediários na 54ª, para assumir a liderança teria de descontar essa diferença na volta de saída dos boxes enquanto Max completava a mesma com slicks e fazia seu pit stop. Considerando que a parada tomava cerca de 25s dos pilotos, o espanhol da Aston Martin saiu coisa de 38s atrás do holandês rubro-taurino — que, por sua vez, perderia esses 25s quando trocasse seus pneus. OK, Alonso estava com os pneus errados. Mas o que teria sido capaz de fazer com os pneus certos em uma única volta? Note-se que nessa volta (a 54), com slicks, Verstappen foi cerca de 6s mais lento que Bottas, que já estava com intermediários. Alonso precisaria descontar pelo menos 13s. Não conseguiria. O que não apaga o equívoco. Deveria, sim, ter colocado os intermediários. Mas não perdeu a corrida por isso. Apenas chegou mais longe do vencedor do que chegaria se tivesse usado os pneus mais apropriados para a ocasião.

Resumindo, a vantagem de Verstappen era muito grande, e só por isso a Red Bull demorou um pouco para chamá-lo. Também errou, porque o momento ideal de parada teria sido na volta 54, quando Alonso parou. Foi quando os intermediários se mostraram mais rápidos — é só ver o tempo de Bottas, cinco parágrafos acima. Mas quem é que vai adivinhar isso? Depois que a corrida termina, é fácil falar.

A ideia da Red Bull, durante a prova toda, foi marcar Alonso pelo retrovisor. Quando viu no grid que o asturiano tinha pneus duros, passou a tarefa para Verstappen, que largaria de médios. Se vira aí, bonitão. Porque seus pneus vão acabar antes, e se você parar antes que ele corre o risco de ser ultrapassado nos boxes se o cara estiver muito perto. Então, trata de construir uma vantagem legal sem destruir a borracha.

Foi o que Verstappen fez, com maestria. Esticou os médios até a volta 55. Alonso levou seus duros até a 54. E a vantagem legal de Max, mais de 13s, tornou-se insuperável.

O resto é conversa.

A FRASE DE MONTE CARLO

“Um ano atrás, aqui em Mônaco, nossos pilotos disseram que o carro era horrível. Hoje, disseram que não é muito bom. Nesse sentido, é um progresso.”

Toto wolff
Hamilton, quarto: “Não muito bom”

Recebi tantas fotos de Mônaco ontem que aí vai mais uma galeria, sem grandes explicações. Se a corrida foi ruim, as imagens foram boas. O Principado é belíssimo e os fotógrafos capricham. Agora, então, com drones por todos os lados, tudo fica ainda mais bonito.

Deleitem-se, e se quiserem ver as fotos em tamanho gigante, é só clicar nelas.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de Oscar Piastri (abaixo, à esquerda), que fez sua estreia em Mônaco num F-1 e já conseguiu pontuar. O menino da McLaren pode não ser um virtuoso, mas tem trabalhado direitinho numa equipe cujo chefe, Zak Brown, não consegue se concentrar em nada. Ontem, estava em Indianápolis.

NÃO GOSTAMOS… de Sergio Pérez (acima, à direita), com seus cinco pit stops, zero ponto e duas voltas atrás de Verstappen.

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NA COMUNIDADE (3)

Chuva no fim não atrapalhou Verstappen: 39 vitórias na carreira

SÃO PAULO (vamos pra próxima) – Max Verstappen ganhou fácil o GP de Mônaco, corridinha chata que só teve alguma emoção no final, quando choveu. Mas nem a chuva foi capaz de alterar demais o quadro da prova, que teve nas três primeiras colocações os três primeiros do grid. Fernando Alonso foi o segundo e Esteban Ocon, o terceiro. O piloto da Red Bull ganhou pela segunda vez em Monte Carlo. Foi a 144 pontos contra 105 de Sergio Pérez, que terminou nem sei onde, duas voltas atrás do vencedor. Alonso, com 93, é o terceiro colocado.

No Mundial de Construtores, a Alpine deu um bom salto de 14 para 35 pontos, graças também ao sétimo lugar de Pierre Gasly. Quem vê a vice-liderança ameaçada é a Aston Martin, que vive de Alonso. O time verde tem 120 pontos contra 119 da Mercedes. O espanhol é responsável por 77,5% dos pontos da equipe. Lance Stroll, que abandonou, tem sido uma nulidade nas últimas etapas. Nas últimas três, macrou sete pontos. Alonso, 48.

Mas vamos à corrida.

Alonso no pódio: cinco taças em seis corridas

Com pista seca, sem chuva nenhuma durante boa parte do dia, a alternância entre pneus médios e duros na largada chamou a atenção. Tinha gente de macio, também, como Zhou, lá atrás. Fiquemos com quem importa, para não cansar os leitores: Verstappen partiu de médios; Alonso, de duros.

A largada foi civilizadíssima, com todos dando espaço para os colegas e evitando atritos que estragassem o domingo de alguém. Não houve mudanças de posição de cabo a rabo do grid, exceção feita a Stroll, que foi prensado no muro por Albon na freada para a Loews. Pérez, último no grid, parou ao final da primeira volta, colocou pneus duros e foi à luta para fazer a corrida inteira com a mesma borracha. No fim, terminou a prova com cinco paradas…

Nas primeiras voltas, o melhor da corrida foi observar com atenção o novo visual da transmissão televisiva, assumida pela FOM/Liberty. Até o ano passado, a Tele Montecarlo era responsável pelas imagens. O equipamento usado, a posição das câmeras e os cinegrafistas eram os mesmos desde 1297, quando Francisco Grimaldi se disfarçou de monge, sacou uma espada escondida sob o hábito, invadiu o castelo e tomou a fortaleza do rochedo, fundando Mônaco. Ficou melhor. Quem nunca esteve lá agora pode conhecer novos ângulos do Principado. E ver como aquele pedaço da Europa é belo e especial.

Na volta 11, Sainz, em quarto, deu uma esfregada em Ocon por trás na chicane da saída do Túnel – não entendam mal, foi isso mesmo – e entrou no rádio para perguntar se tinha quebrado alguma coisa. A Ferrari avisou que iria checar. A pontinha da asa dianteira foi danificada. Na liderança, Verstappen desfilava sozinho com mais de 5s de vantagem sobre Alonso, que por sua vez tinha mais de 10s sobre o francês da Alpine. Era o desfile em fila indiana de sempre, para gáudio dos que odeiam o GP monegasco.

Convinha olhar para o fundo do pelotão, onde estava Pérez. Mesmo com um carro muito bom, o mesmo da pole de Verstappen, o mexicano seguia sem conseguir passar ninguém, em 18º. Ganhara a posição de Zhou nos boxes e de Hülkenberg, que fora punido por um incidente na primeira volta. No final da volta 18, uma rara ultrapassagem: Stroll sobre o fraquíssimo Sargeant na Rascasse. Pérez aproveitou e foi junto. Posições irrelevantes, mas vale o registro, já que nada acontecia, mesmo.

Corrijo: acontecia uma tentativa burlesca da Ferrari de enganar a Alpine, chamando Sainz para os boxes “para passar Ocon”, e quando ele chegava perto da entrada vinha a contra-ordem, “fica, fica!”. Sabe no truco quando você pisca o olho deliberadamente para fingir que tem o zap? Pois é isso. Ninguém acredita. A Ferrari, às vezes, é constrangedora.

Início de prova: Max vai embora, Alonso só espera

Na volta 31 Verstappen colocou uma volta em Pérez, que estava em 16º. Menos de metade da corrida, um escândalo. OK, o mexicano tinha feito uma parada, mas a diferença era gritante. Na 32ª começaram as paradas do pessoal da frente. Hamilton foi o primeiro a trocar pneus. Tinha largado de médios, colocou duros. Caiu de quinto para oitavo. Ocon foi na volta seguinte e retornou em sétimo. Mas a parada foi um pouco lenta, o que poderia ter consequências. Quando Sainz fizesse sua troca, talvez voltasse na frente do francês. Carlos parou na 34ª. Voltou atrás de Esteban. E saiu disparando impropérios à equipe, que respondeu dizendo que tentou protegê-lo de Hamilton. “Não quero saber de Hamilton, não dou a mínima para ele, não gosto da Mercedes, meu pai corre de Audi, Lewis nunca conversa comigo, eu queria passar o Ocon, o Vasseur é francês, está protegendo ele, eu gostava mais do Binotto!”, desabafou o espanhol. (O conteúdo da conversa foi ligeiramente diferente, mas o que importa é a essência.)

Eu ia dizer de novo que nada acontecia, mas estaria mentindo porque omitiria duas presepadas de Pérez. Primeiro, cortou a chicane para passar Stroll. Teve de devolver a posição. Depois, bateu na traseira de Hülkenberg e quebrou o bico. Teve de voltar aos boxes. Uma lástima.

Na metade da prova, Verstappen, Alonso, Leclerc, Gasly e Russell eram os cinco primeiros, sem paradas. Ocon, Sainz e Hamilton vinham a seguir, já tendo trocado seus pneus. A diferença de Max para Fernandinho, que já tinha sido superior a 10s, mantinha-se estável na casa dos 9s.

Leclerc parou na volta 45, enquanto Verstappen, pelo rádio, conversava amenidades pelo rádio com a Red Bull. Perguntava sobre Alonso, sobre o tempo, sobre o pai, sobre a namorada. Alonso, por sua vez, questionava o time sobre a possibilidade de chuva. “Ainda neste mês, Fernando”, respondeu o engenheiro. “Então vou com este pneu até a última volta.”

Na real, a corrida estava um porre. De novo, para alegria e sádica satisfação dos detratores da prova mais tradicional e charmosa da F-1 – que às vezes é chata, fazer o quê? Na falta de outro assunto, a chuva virou tema das conversas. E parecia que estava vindo, mesmo. Na volta 52, Russell, sempre alarmista, avisou: “Preparem suas capas! Procurem as galochas! A arca de Noé será pequena!”.

Não era para tanto. Na entrada do Túnel, uma bandeira vermelha e amarela foi mostrada pelos fiscais. Ela indica pista escorregadia. No trecho entre a Mirabeau e a Poitier, o asfalto estava realmente molhado. Ah, chuva, que delícia! Obrigado, teremos uma corrida!

Sainz chegou em Ocon na volta 54, babando para ultrapassar o francês. Os carros dançavam por todos os lados em parte do circuito. Alonso parou e colocou pneus novos, médios, para pista seca. Ocon veio em seguida e espetou intermediários. Aí a prova ficou divertida (para quem vê) e tensa (para quem corre).

Água no fim: alguma emoção, mas não muita

A chuva apertou e tomou conta do Principado. Verstappen parou na volta 55 e colocou intermediários. Sainz escapou, rodou, perdeu a posição para Leclerc. Alonso, então, percebeu a bobagem que fizera. Voltou aos boxes e colocou intermediários, também. Mas como tinha boa vantagem para Ocon, acabou não perdendo a segunda posição. A Ferrari chamou seus dois pilotos e fez o mesmo. No frigir dos ovos, Verstappen seguia na ponta, agora com mais de 22s sobre Alonso. O espanhol se mantinha na vice-liderança, com Ocon em terceiro e agora Hamilton em quarto, seguido por seu companheiro Russell. Leclerc, Gasly, Sainz, Tsunoda e Piastri fechavam a turma dos pontos.

A pista estava um sabão. Russell deu uma escapada e quando retornou ao traçado não viu Pérez. Se tocaram. O inglês recebeu uma punição de 5s que ao final da prova não alteraria sua posição. Os tempos de volta subiram da casa de 1min15s no seco para mais de 1min40s no molhado. Todo cuidado era pouco. Na volta 60, o que se via era uma turma de pilotos tentando não bater em nada, rabeando para lá e para cá.

Uma briga interessante se desenhou a partir da volta 65, quando Hamilton se aproximou de Ocon. Valia uma posição no pódio. A diferença entre o carro da Alpine e o #44 da Mercedes estava na casa de 1s. Russell, em quinto, vinha na mesma balada. Mas Lewis não arriscou nada e preferiu se conformar com a quarta colocação. Desistiu rapidinho para voltar mais cedo para casa e dispensar cerimônia de pódio e entrevista coletiva obrigatória. Além do mais, o marceneiro não entregou ainda a estante nova. O troféu teria de ficar na cozinha, ao lado da cafeteira. E, todos sabem, aquele lugar é cativo do vasinho com suculentas.

Estie Bestie chegou lá: Ocon leva terceiro troféu para casa

O asfalto começava a melhorar um pouco e as voltas despencaram para a casa de 1min30s. Na 69ª das 78 previstas para concluir o GP, Tsunoda, em nono, perdeu duas posições para os pilotos da McLaren, Norris e Piastri. O japonês tinha problemas nos freios. A chuva parou, mas a pista continuava molhada e traiçoeira.

Nada mais aconteceu, porém. Russell, é verdade, seguia com seus discursos pelo rádio, descrevendo tudo que se passara nas voltas anteriores. “Gente, eu estive grudado na caixa de câmbio do Lewis, mas quando falei isso não estava pressionando nada, tá bom?” “Tá bom, George.” “Era só modo de falar, adoro Lewis, só não usaria aquelas roupas, mas vocês sabem que nos damos bem.” “Tá bom George.” “Sabe, pessoal, eu até poderia chegar em terceiro na frente do meu amigo Esteban e de nosso incrível Lewis, mas vi uma bandeira amarela, brequei e acabei saindo da pista. Espero que me perdoem.” Tá perdoado, George. “De mais a mais, uma quinta posição me parece satisfatória, considerando que estamos com um carro praticamente novo, o que mostra a força de nossa equipe e o empenho de t…” “Cala a boca, George, já acabou a corrida.”

Príncipe, princesa e agregados no pódio: festa de Max, Alonso e Ocon

Acabou a corrida com Verstappen recebendo a quadriculada com 27s9 de vantagem para Alonso, que por sua vez cruzou a linha cerca de 10s à frente de Ocon. Um belo pódio, merecido. Para o holandês da Red Bull, a 39ª vitória na carreira, quarta no ano em seis etapas – o time austríaco segue invicto. Para El Fodón de L’Astón, um segundo lugar não vinha desde o GP da Hungria de 2014, quando ainda corria pela Ferrari. Foi seu quinto troféu na temporada. Já Ocon conseguiu seu terceiro pódio na F-1 e pediu o telefone do marceneiro de Hamilton. Foi quem mais comemorou o resultado. “Estie Bestie está no pódio, bebê!”, gritou pelo microfone de David Coulthard, o entrevistador-mala oficial do dia. Nem todos entenderam, esclareço: “Estie Bestie” é como Ocon é chamado por seus torcedores.

Hamilton, Russell, Leclerc, Gasly, Sainz, Norris e Piastri foram os outros que marcaram pontos numa corrida que incrivelmente não teve nenhum safety-car e apenas dois abandonos, de Stroll e Magnussen. O príncipe Albert II entregou o troféu a Verstappen e a princesa Charlene, sua esposa, a Alonso. Andrea Casiraghi, filho da princesa Caroline, filha de Grace Kelly que já está no terceiro casamento, premiou o eufórico Ocon. “Estie Bestie está felizão, princesa!”, falou. No chá da tarde, Caroline perguntou ao marido quem era Estie Bestie. “Personagem de quadrinhos, querida.” Após uma pausa, Caroline perguntou: “Quadrinhos eróticos?”

Domingo que vem tem mais. Esperamos mais, também, de Barcelona. Mas sem grandes ilusões. Lá a lógica é mais lógica. Vai dar Verstappen de novo. Apreciemos a pilotagem do rapaz.

Final de prova: nenhum safety-car
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Alonso e Verstappen: aula de pilotagem em Mônaco

SÃO PAULO (que show!) – Max Verstappen não é normal. A pole-position que conquistou hoje em Mônaco pode ser colocada entre as maiores da história da F-1. Mas ele não achou: “A volta foi boa o bastante”, falou.

Boa o bastante? Tu tá falando sério, rapá? Tu viu o que tu fez?

A sessão que defina o grid para a corrida de amanhã estava chegando ao final de um jeito frenético que fazia algum tempo não se via. Primeiro porque Verstappen, o mais rápido no Q1, no Q2, na fila do mercado e no caixa do estacionamento do shopping fizera uma volta ruim em sua primeira tentativa. Depois da primeira leva de voltas rápidas, estava apenas em quinto no grid. Não era uma posição à altura nem dele, nem do carro, nem de tudo que havia realizado até ali no ensolarado Principado desde ontem.

Então ele voltou para a pista e fez o melhor tempo. Só que Ocon veio em seguida e pulou para primeiro. Não é erro de digitação, estou falando de Ocon, mesmo, aquele pirulão da Alpine. Aí passou Leclerc e roubou dele a posição. Ouviram-se rojões nas vielas dos morros da comunidade, Charlinho é de lá. Mal deu tempo de respirar e surgiu Alonso, do alto de seus quarenta-e-tantos, que pouco antes fizera uma volta daquelas guiando, como ele mesmo disse, “como um animal”.

Àquela altura, festejar a pole de El Fodón Quarentón era legítimo: o tiozão da F-1, o cara que renasceu na Aston Martin, o amante das flores que rega os vasinhos do motorhome e se preocupa com o companheiro de equipe, a versão madura e simpática do piloto que mais disputou GPs na história e que não ganha uma corrida desde maio de 2013, quando ainda defendia a Ferrari. Nós, que já ostentamos alguns cabelos brancos, demos um risinho de canto de boca e, no íntimo, murmuramos: chupem, xóvens.

Então veio o xóvem Max, 25 anos, barba que nem cresce direito, daqueles que falam “tipo” e “tá ligado”. Abriu a volta, foi mais ou menos no primeiro setor do breve circuito monegasco, passou por carros mais lentos, algo que atrapalha qualquer mortal, concluiu o segundo setor da pista 0s2 atrás, a pole de Alonso estava garantida, faltava só o último trecho, a tarefa era impossível.

Fechou a volta 0s084 à frente do espanhol.

Ah, vai caçar rapaz, vai.

Os tempos da classificação: Leclerc seria punido, caindo para sexto

De onde Verstappen tirou aqueles décimos, não se sabe. Foi sua primeira pole em Mônaco e 23ª na carreira. Nas estatísticas, é o 13º com mais poles na história e deixou para trás, vejam como é irônico o destino, o mesmo Alonso que estava pronto para redimir todos nós que já dobramos o cabo da boa esperança. Assim mesmo, em minúsculas. Xóvem desgraçado!

Só restou aplaudir de pé o moleque que fez uma volta “boa o bastante”. O próprio Alonso fez questão de ser o primeiro a cumprimentá-lo. Estava feliz com a primeira fila, claro. Afinal, a última vez que largou por ali em Mônaco foi em 2007, pole-position pela McLaren. Não, não dá para reclamar de um segundo lugar no grid. Mas que no fundo deve ter ficado com raiva do xóvem desgraçado, deve. Até eu fiquei.

Sorrisos aqui e ali, efusivos e sinceros, caras feias acolá. Se Mônaco teve seus heróis no sábado, os vilões também bateram ponto. O primeiro deles foi Sergio Pérez. Companheiro de Verstappen na Red Bull, o mexicano larga em último. Ele, que venceu em Monte Carlo no ano passado, conseguiu estampar o carro na barreira de proteção da Sainte-Dévote com sete minutos de classificação, ainda no Q1. Pediu desculpas à equipe e assumiu o erro. Um erro “idiota”, nas palavras de Helmut Marko, oráculo rubro-taurino cujo santo não bate muito com o do devoto de Nossa Senhora de Guadalupe.

Outro que saiu com uma tromba considerável e voltou para casa aborrecido — não é força de expressão, mora perto — foi Leclerc. Terceiro tempo, foi punido com três posições no grid e caiu para sexto porque atrapalhou a volta rápida de Lando Norris. Charlinho vive em Mônaco situação parecida com a de Rubens Barrichello em Interlagos em seus anos de F-1: só se dá mal. Ano passado, na pole, terminou em quarto. Foi a primeira vez na vida que terminou uma corrida nas ruas de sua comunidade. Até de carrinho de rolimã e autorama tinha problemas para chegar ao fim. Em 2021, também na pole, quebrou indo para o grid. Oh dia, oh vida.

Leclerc: muito azar correndo em casa

Já que começamos pelo fim, o Q3 da pole consagradora de Verstappen, que sejam cá listados os dez primeiros, só para poder dar uma sequência lógica a este texto secreto. Sim, sei que está lá em cima na tabela de tempos, mas não custa escrever, para poder elogiar um ou outro: Verstappen, Alonso, Ocon, Sainz, Hamilton, Leclerc, Gasly, Russell, Tsunoda e Norris.

Elogiemos Ocon, que de vez em quando dá o ar da graça. Vale o mesmo para seu companheiro da Alpine, em sétimo. O CEO do time, Laurent Rossi, deu uma comida de rabo geral em todo mundo alguns dias atrás, com o perdão da expressão que resvala no chulo, porque as coisas andam mal na casa francesa. São meros 14 pontos em cinco corridas. Ano passado, nessa altura, a equipe tinha 26. Pelo jeito, a chacoalhada funcionou.

Merece também uma palavra de apoio e consideração o simpático e minúsculo Tsunoda, que engoliu de vez, na AlphaTauri, o celebrado Nyck de Vries, cujo emprego está por um fio. Assim como Hamilton, o quinto colocado, faz jus a uma discreta exaltção.

Lewis teve um começo de sábado complicado, terminando o terceiro treino livre do fim de semana com o carro batido na curva Mirabeau. Nem foi tão forte, a panca (estou cheio de gírias em itálico, hoje), mas o resgate de seu novo carro, o W14 da Mercedes que recebeu aplicações de botox, implantes de silicone e cílios postiços, acabou sendo o momento mais aflitivo do dia. Uma grua ergueu o automóvel a uma altura indizível, ele balançou, parecia que iria se espatifar no chão — o que não seria de todo mau para a equipe, que teria justa desculpa para fazer um novo chassi –, mas tudo terminou bem. Foi devolvido aos boxes sem maiores danos. Os fotógrafos aproveitaram para clicar a viatura por baixo e correram aos boxes para vender imagens do assoalho novo às outras equipes. Ninguém quis comprar. “Merda por merda, temos a nossa”, disse um funcionário da Alfa Romeo.

W14 balança na grua: parecia que ia cair

A Mercedes admitiu que inventou uns acertos esquisitos para o carro do heptacampeão, que por muito pouco não ficou empacado no Q2. Conseguiu se classificar na bacia das almas, com o cronômetro já zerado. Tudo que Hamilton viu de bom no novo modelo ontem foi colocado em dúvida hoje. Num certo momento, pelo rádio, desamparado, disse ao engenheiro: “Meu, esse troço é muito ruim de guiar, difícil pra cacete, puta que pariu, que merda vocês fizeram no carro?”. (As palavras em inglês foram outras, mas reforço que tenho tentado traduzir para vocês as conversas entre pilotos e equipes com interpretações que auxiliem na compreensão.)

Este Q2 acabou eliminando Piastri, De Vries, Albon, Stroll e Bottas, que ficaram com as posições de 11º a 15º. Antes, no Q1, foram escorraçados da classificação Sargeant, Magnussen, Hülkenberg, Zhou e o desafortunado Pérez, sobre quem já falamos acima, mas nunca é demais dizer, ou talvez seja melhor gritar mesmo, em maiúsculas: PAREM DE ACHAR QUE PÉREZ VAI LUTAR PELO TÍTULO! Obrigado.

Fiquem sossegados, o texto gigantesco está chegando ao final. Notei, no entanto, que faltam fotos de carros na postagem, e é de carros que se trata, afinal. Apreciem as três escolhidas abaixo e depois voltem para o desfecho desta extensa publicação.

Já disse aqui outras vezes que em Mônaco tudo pode acontecer, porque é óbvio. Em algumas pistas não acontece nada nunca, mas em Monte Carlo o vencedor de um ano pode largar em último no seguinte com o mesmo carro (Pérez), uma corrida pode terminar com quatro sobreviventes e um obscuro francês de um time às portas da falência ganhar (Panis, da Ligier), um favorito pode ser acertado no Túnel durante um safety-car para a vitória cair no colo de um italiano que só sabia vender vinhos (Schumacher, o favorito; Trulli, o enólogo), times pequenos podem levar seus pilotos ao pódio (Senna, da Toleman, e Barrichello, da Stewart). E pode não acontecer nada, também, porque assim é a vida.

Mas acho que amanhã vai acontecer bastante coisa. Porque tem Alonso na primeira fila doido para ganhar uma corrida. Já disse, faz dez anos que ele não sabe o que é isso na F-1. Porque em Mônaco é fácil bater, porque em Mônaco a chance de um safety-car sempre existe, porque Pérez deve fazer alguma besteira, porque Leclerc anda uma pilha de nervos, porque três pilotos nunca correram de F-1 no Principado (De Vries, Sargeant e Piastri) e não vão conseguir dormir hoje à noite, e porque pode ser que chova.

Como vocês podem ver aí embaixo, amanhã o sol nasce às 5h54 em Monte Carlo e se põe às 21h. Gosto particularmente das informações sobre a primeira e a última luz: começa a clarear às 5h20 e às 21h35 o manto da noite cobre de vez o Principado e aí todos os gatos serão pardos. A prova começa às 10h de Brasília, 15h locais, e de acordo com a previsão extraída de confiável site do Timor Leste há 50% de chances de chuva ali pela hora da largada. Fraca, verdade, mas mesmo chuva fraca em Mônaco ajuda bastante.

Previsão para Mônaco amanhã: chance de chuva fraca

Seja como for, o espetáculo de hoje já valeu a pena. Verstappen deu mais uma demonstração do enorme talento que tem, talento que já o coloca entre os maiores de todos os tempos mesmo se resolver se aposentar amanhã para viver nos Lençóis Maranhenses. Ninguém faz uma pole dessas em Mônaco se não for um piloto excepcional, muito acima da média, ainda que considere que tenha feito apenas uma volta “boa o bastante”.

Nem vem, rapá. A gente te manja. O que tu fez foi História com H maiúsculo. Sem exageros, que não sou dado a eles. Mas que ninguém minimize o que esse holandês vem realizando nos últimos tempos na F-1. Ele é um monstro de verdade.

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Verstappen na frente: precisão na pilotagem

SÃO PAULO (…dos morros da Riviera) – Vai ter briga. Verstappen x ferraristas x Alonso. A pole, amanhã, ficará aí. Max foi o mais rápido hoje na abertura dos treinos em Mônaco, mas a diferença para Leclerc, menino criado nas ladeiras daquela comunidade, foi desprezível: 0s065. A Ferrari é forte em classificações, todos sabem. Já foi mais, é verdade. Neste ano, fez apenas uma pole em cinco corridas. Mas considerando que é uma temporada em que a Red Bull ganha tudo, roubar uma pole da turma energética é melhor que nada.

O próprio Verstappen falou que sua equipe vai precisar de “algo mais” amanhã para ter a segurança de que vai bater a Ferrari. E incluiu Alonso na conversa. O duende verde espanhol ficou em quarto, 0s220 atrás do holandês — que cravou 1min12s462 na melhor volta do dia ensolarado e agradável no Principado. Fernandiño acha que dá para ganhar a corrida de domingo. Há, inclusive, possibilidade de chuva na prova. Amanhã, não. “Vou me esgoelar na classificação”, garantiu o asturiano, com palavras um pouco diferentes. (Tenho tentado fazer traduções livres aqui, vocês já devem ter percebido.)

Tempos da sexta: menos de 1s entre o primeiro e o 14º

E a Mercedes com seu carro novo que é mais ou menos novo e está sendo chamado apenas de “atualizado”? Até que andou direitinho no primeiro treino livre, com Hamilton fechando a sessão em terceiro. Mas é aquele treino que não indica muita coisa em termos de velocidade, até porque ninguém usa pneus macios na abertura dos trabalhos em Monte Carlo.

No segundo treino, Lewis ficou em sexto. “Não é o lugar ideal para testar atualizações, mas o carro estava bom, no geral. Sentimos alguma melhora. Mas acho que ainda tem mais suco pra tirar dessa fruta.” (No caso, ele falou mesmo “juice”, e usou “espremer”, também. Por isso construí essa nova tradução livre. “Mais suco pra tirar dessa fruta” é uma bela frase.)

Não estranhem o cabra aí no meio da pista nessa última foto, embora ele esteja na faixa dos pedestres. É a saída do Túnel. Se fosse possível ver, no canto direito inferior da imagem haveria um guard-rail. Vários fotógrafos fizeram essa imagem, para chocar a sociedade. Não tem risco nenhum, ficar aí. A não ser que o piloto resolva virar à esquerda. Ainda assim, teria de parar antes da faixa. Em Mônaco todo mundo para antes da faixa, porque se não parar os policiais, dos mais mal-educados do mundo, lhe darão um proverbial esporro. Lembre-se disso quando for a Mônaco.

Duas batidas aconteceram nos treinos. A primeira de Albon, da Williams, no treino matinal. Foi na Sainte-Dévote, e é assim que se escreve em francês: Sainte com E no final e Dévote com acento no primeiro E. É ali que fica a igrejinha da Santa Devota, caso prefira falar em português. São belos os nomes das curvas em Mônaco: Sainte-Dévote, Beau Rivage, Massenet, Cassino (pode falar em português mesmo, mas pega bem dizer “casinô”, com um S e circunflexo no O), Mirabeau (tem a Haute e Bas, alta e baixa, mas se quiser falar só Mirabeau, pode; sem preciosismo), Loews (não caiam em outro nome de hotel, fiquem sempre com Loews), Portier, Túnel (aqui pode aportuguesar também, como o Cassino), Chicane da Saída do Túnel (aí pode ser só “chicane”, mesmo, aquela história de “Nouvelle Chicane” é dispensável, a chicane não é mais nova), Tabac, Louis Chiron, Piscina (vale a regra do Cassino e do Túnel, piscina é piscina, não precisa falar diferente), La Rascasse, Anthony Noghes.

Falava das batidas, e a segunda foi de Sainz, no fim do segundo treino, na saída da Piscina. Deu com a roda dianteira no guard-rail, quebrou a suspensão, bateu um pouco mais à frente. Ninguém se feriu, acabou batendo de leve, nada que um bom seguro não cubra.

Alonso antes da chicane: candidato

Fechamos com a linda imagem de Alonso contornando a chicane, foto tirada de onde estava o bombeiro acima, porque ali ficam vários fotógrafos fazendo as mesmas fotos. O que eu digo, provo. Vejam aí embaixo. Algumas ficam boas.

Fotógrafos fazendo as mesmas fotos: até que prestam

Alonso é minha aposta para domingo. Chute, apenas. Amanhã, apesar de toda a preocupação, Verstappen vai varrer todo mundo.

Às 19h tem programa no meu canal, o “Fórmula Gomes”. Apareçam lá.

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