FICAREMOS BEM

F

SALZBURG (amanhã acaba) – Depois da moleza de ontem, a jornada de hoje era longa: 300 km até Salzburg, embora um site mequetrefe tenha me informado que a distância era de 255 km, o que me deixou bem puto quando bati nos 255 km e não estava em Salzburg, mas sim em Bierbaum, que nem sei que pito toca e fica no meio do nada.

Gerd não reclamou, porque gosta de andar. Especialmente quando não tem ninguém por perto, na solidão de uma estrada que corte milharais e plantações de magnólias. É seu habitat, muito mais do que as rodovias cheias de caminhões e carrões rápidos e sem rosto.

Quando saímos de Viena, ainda na garagem do hotel, a módicos 14,60 euros a estadia (me estressei com o turco que cuidava do estacionamento de noite, o tonto não falava nada de inglês, e tem de falar inglês, não interessa se está na Áustria ou na China, o cara tem de entender pelo menos “quanto custa?” e “é aqui a garagem do hotel?”, senão volta pra Turquia e vai vender kebab), Gerd ligou e imediatamente desligou.

Ainda tem quatro litros no tanque, deixa de frescura, já vi com a régua, mas ele não quis saber. Torneirinha na reserva e funcionou. Legal, você, a gente no centro da cidade, só deve ter posto na periferia, na saída para a estrada, não sei onde é a estrada e se você parar no meio da rua, taco gasolina e ateio fogo, eu disse, e Gerd riu porque se a gasolina acabasse, eu não teria como tacar gasolina e atear fogo, lógica irretocável de um alemão oriental.

Bom, eu tinha de seguir para oeste, me orientei pelo sol, o dia estava lindo, foi o primeiro dia realmente de sol o tempo todo e calor desde que cheguei, e fui indo para oeste até que apareceu uma primeira placa para Linz, mais ou menos meio do caminho, e logo um salvador posto desses de calçada, duas bombas, uma cabine para pagar e já estava bom demais.

Na Europa, em geral, a gente mesmo abastece o carro e vai pagar, isso varia um pouco de país para país, e quando encostei Gerd no meio-fio, o cara já saiu da cabine, no posto dele, só ele abastece. Abri o capô e ele já começou a gritar, “óleo, óleo, aqui vai óleo”, me comovi com sua preocupação, mas eu sei, meu filho, vou pegar o óleo, está no portamalas, as coisas aqui respeitam uma determinada ordem, nada acontece ao mesmo tempo, fica frio, das calmen.

Coloquei o óleo e ele colocou a gasolina e tchau.

Fugindo das placas para a autoestrada, fomos deixando Viena pela periferia até chegar à 1, só isso mesmo, 1, sem letras acopladas, a estrada 1, que pelo meu mapa morreria em Salzburg, com alguma sorte na porta do meu hotel. Estava calor mesmo, e deu para viajar de janela aberta, uma raridade neste outono até agora frio pelos cantos por onde passamos. Acho que queimei só um lado do rosto, porque foi o tempo todo com o sol à esquerda e o asfalto à frente.

Combinamos de parar depois de uma hora de viagem, eu estava com fome e com vontade de comer pão com bratwurst, o último foi em Dresden. Meu GPS mental calculou a rota e o tempo de viagem e a ideia era chegar a Salzburg às 6 da tarde. Paramos numa cidade de beira de estrada, maior que a maioria, St. Pölten, que até agora não sei se é santo ou santa, simpática, segui a torre da igreja, onde em geral há um centro, no caso um “zentrinhum”, e foi tudo dentro do previsto, exceto a bratwurst, que não encontrei, e comi qualquer coisa.

Nessas estradas europeias, muitas vezes a gente tem a impressão de que o planeta é desabitado. Mesmo cruzando pequenas cidades, é difícil ver gente nas ruas. De vez em quando, velhinhos de bicicleta. Numa dessas havia um casal. O velhinho na frente, a velhinha atrás. Ninguém mais num raio de mil quilômetros, exceto eu e Gerd, e aí o velhinho resolveu virar à esquerda e fez um sinal espalhafatoso com o braço, mas não para mim, eu já tinha passado, acompanhava aquilo pelo retrovisor, o sinal foi para sua velhinha, que desde os tempos do império austro-húngaro deve fazer aquele trajeto de bicicleta, mas para garantir que ela não vai fugir com um recruta qualquer, o velhinho faz o sinal para virar à esquerda, e ela vira.

Só fui parar para abastecer de novo em Linz, e nem precisava, porque Gerd gastou muito pouco, e talvez tenha sido pela gasolina que coloquei em Viena. O mesmo ogro que gritou sobre o óleo naquele posto da calçada não me deixou escolher a Super 95, seja lá o que for isso, mas para mim sempre pareceu melhor que a 91, que não tem nada de super, e me obrigou a colocar a 91, e parece que com ela Gerd ficou mais econômico.

Em Linz, meu GPS mental recalculou o tempo de viagem. A cidade é grande e colada em algumas outras, e ali perdemos uma hora num trânsito infernal, uma chatice, mas tudo bem, depois engrenou de novo. O sol, àquela altura, já estava na minha cara, estamos indo para o oeste, lembrem-se, e tive de acionar o parassol (aquelenegócioqueagenteabaixaprosolnãobaternacara), agora com uma técnica diferente para não esbarrar no espelho, é difícil de explicar, mas dá, o problema é que o parassol fica na frente do espelho e oculta uma parte da visão, mas isso não importa, sobra espaço suficiente para ver o que é preciso ver do mundo às minhas costas, muitas vezes é melhor não ver nada atrás, mesmo.

A última parada foi a uns 20 km de Salzburg, para tomar um café e um Red Bull no postinho OMV, sempre muito acolhedores os postos dessa rede, e aí aparece um sujeito rebocando uma carreta com um Mini Cooper vermelho configurado para rali. Estava indo para uma prova que começa amanhã, no sul, e vai até domingo, e quem iria pilotar seu carro era ninguém menos que Rauno Aaltonen, que eu fingi saber quem era, claro, e depois, consultando a sagrada internet, descobri que deveria saber mesmo. Aaltonen, que tem 71 anos, foi campeão europeu de rali em 1965, seis vezes vice-campeão do Safari Rally, terminou o Rali de Monte Carlo em terceiro na geral em 1963 com o Mini igual àquele e ainda ganhou algumas provas do Mundial, tendo sido piloto oficial da Datsun, Fiat, Opel, Ford, SAAB e, possivelmente, da Gurgel.

Falei pro cara eu que também corria de carros antigos, ele perguntou qual e eu respondi que era DKW e agora é Lada, e ele não me pareceu muito impressionado. Na hora de ir embora, olhou para Gerd com um ar condescendente e me desejou boa sorte, o que me irritou um pouco e eu disse que não precisava de sorte. Ele, sim, com aquela caixa de fósforos disfarçada de carro.

E nada de muito mais notável aconteceu neste dia passado quase todo na estrada até chegar ao pé dos Alpes onde se encontra Salzburg, a cidade de Mozart, onde já estive pelo menos duas vezes, muito tempo atrás, e mesmo tendo chegado pela estradinha, e não pela estradona, reconheci uma ou outra esquina, e assim que dobrei à direita, putz, olha o hotel ali, não precisei bater muita perna, Gerd está neste momento descansando tranqüilo ao lado de um belo Scirocco, o carro mais bonito, dos novos, que vi por aqui, e amanhã vamos para Munique de tarde, é mais perto, 150 km, coisa rápida, a última jornada.

Acho que ficaremos emocionados, mas não há de ser nada. Alemães orientais sabem conter suas emoções. Vamos ficar bem.

Sobre o Autor

admin

44 Comentários

  • Vc escreve muito bem, parabéns de verdade. Fico aqui pensando que se eu contasse pra alguém que fiz uma viagem dessas, ficaria conhecido como espalha roda, porque não tem nada de emocionante em andar mais de 2000 km a “noventaporhora” num carro antigo – quando não se sabe utilizar as palavras para descrever o percurso.

  • Porra Flavio que resposta de alemão oriental antes da queda do muro, nem parece que voce passou duas semanas passeando pela Europa. Se voce fosse casado com uma mulher bonita como eu sou, mas descendente de calabrez e baiano voce não se meteria a besta, como eu não me meto e não troco, não deixo da minha mulher nem fudendo. Mas cacete voce não pegou o espirito da brincadeira, é inveja mesmo, aliás por falar em inveja o cabeçudo metido a roqueiro lá da TV tá te rogando praga todo programa, sarava.

  • Olha não tenho nada com a sua vida pessoal, mas dar um rolê pela Europa e tirar fotos com uma gata comuna e abraçado ainda por cima, voce não continua casado né companheiro? Se continua ensina a magica, porque tá difícil dar um rolê em qualquer lugar e se tirar foto com mulher então, vixe!!!!!!!

  • Caro Flavio,
    Para quem já te acompanha e te lê a algum tempo e te conhece um pouquinho, é fácil prever que esse será o maior capítulo de “Diários de Viagem” de todas!
    Fará a tiragem de O Boto do Reno, virar saudades…
    E dessa forma voce conseguiu arregimentar mais vários leitores.
    Apenas uma perguntinha:
    Seria tããão exorbitante assim o custo de se trazer um Trabant usado para o Brasil?… Nem digo o Gerd, que pelo que entendí, ainda é de seus amigos; mas para voce que gosta tanto de alguns caroos… é tão inviável assim?

    Abração e aguardo a resposta de meus e-mail’s sobre a Vemaguete.

  • Caraca, vc perdeu a chance de ver de perto o Rauno Aaltonen!!! Pilotando um Mini Cooper!!!! Saiba que ele inspirou todos os grandes campeões que vieram em seguida – Vatanen, McRae…. e o cara ainda pilota aos 71 anos!!!! Aaltonem revolucionou o WRC nos anos 70 com seu estilo de piotagem agressivo, principalmente os grandes saltos com aterrisagem em apenas uma das rodas dianteiras – o que distribuia melhor o impacto, principalmente nos Mini Coopers com aquele curso de suspensão ridículo. Imperdoável, Gomes. Tudo bem, pelo menos vc botou uma foto (mal tirada pra dedéu…) do Mini Cooper na carreta…

  • Uma pena que esta viagem esteja acabando, estou adorando o seu diário de viagem, e pretendo juntar tudo e guardar, para ler no futuro!

    Hoje, li uma reportagem com uma entrevista sua e fotos do Meianov na Revista do Administrador, você já a recebeu?

    [ ]s, ein Gruss am Gerd!

  • Caro Flavio,

    A respeito da torneirinha do Trabant, quando está na posicao “A”, ela corta o fornecimento de gasolina quando o tanque estiver com 4 a 5 litros de combustível. Ai, só no “R” mesmo, que é uma “reserva” que simplesmente libera o combustível restante. Com isso o motorista sabe quando reabastecer sem ter que usar a régua. Voce pode trocar para a posicao R sem ter que esperar o carro morrer (só que dependendo do modelo, é impossivel vc fazer isso enquanto dirige).

    A posicao “Z” é para fechar a válvula, de modo que nao ocorra vazamento de combustivel quando o motor estiver fechado, nao sei se vc tem feito isso (se tivesse lido este blog antes, teria avisado)

    Caso fique em Munique hoje de noite e amanha, me avise que gostaria muito de conhecer o Gerd. Apesar de trabalhar na BMW, infelizmente nao tenho acesso aos carros da fábrica para que voce possa conhecê-los em troca.

    • Isso… E na hibernação, não esqueça de deixar a torneirinha no “Z”.

      No Trabi, o combustível desce por gravidade (que nem Fordinho) e é bom não dar mole com uma agulha de carburador presa ou algum vazamento…

  • tristeza de uns, alegria de outros. nosso castelo em Dusseldorf acolhera Gerd maravilhosamente bem ate o fim do ano.

    ele me confessou que seu ultimo sonho europeu eh conhecer Luxemburgo e suas casamatas, patrimonio mundial da Unesco. nao posso negar tal pedido.

    abracao e liga pra Fatima.

  • que pena que está chegando ao fim essa jornada…tenha certeza que Gerd é o Trabant mais espaçoso do mundo, pois além daquelas duas turistas (que estavam indo para o Irã fazer sabe-se lá oque??!!!) ele levou um número enorme de pessoas por essa aventura….pode ter certeza que a saudade não vai ser grande, eu como latino-americano não tenho o controle emocional que os leste-europeus possuem. Nem mesmo chegou o fim e já to sentindo a maior tristeza!!!!!

  • Complementando a dica do castelo, dada pelo leitor das 21:13. Vá até a cidade de Fussen, onde ficam os 2 castelos construidos pelo rei Ludwig II. Estive lá já faz algum tempo, mas se eu não me engano, Hohenschwangau é o nome de um dos castelos e não da cidade onde ele se localiza, que é Fussen. Desse castelo, o rei, um demente, claro, acompanhou a construção do Neuschwanstein, que é um dos castelos mais bonitos do mundo. Tem turistada? Tem, mas a visita ao Neuschwanstein é imperdível. O cara quebrou a Alemanha para construir esse castelo e morreu antes de usá-lo. O castelo é zero, fica no alto de uma colina, tem obras de artes, aposentos e cozinha preservados. A foto aérea desse castelo é maravilhosa. Foi daí que o Walt Disney tirou a ideia do castelo da Cinderela que tem na Disney. Claro que cobram entrada, mas se estiver por perto é muito legal. Veja os dois por fora (são um do lado do outro) e se se animar, entre no Neuschwanstein. Clique Neuschwanstein no Google e você vai entender exatamente o que eu estou falando.

  • Muito legal o relato. Eu também cruzei a Europa inteira e fiquei puto por não ter ganho carimbos no passaporte. E isso foi em 1990.

    Fico imaginando o que o cara do Mini ficou pensando:

    “É brasileiro, correu de DKW, corre de Lada e está cruzando a Europa com um … Trabi. Depois eu que sou louco!”

  • Flavio … lendo isso tudo entendi todo o porquê da sua viagem …. Munique? Começo de outubro? Hmmmmm .. OKTOBERFEST ..

    Estava aí ano passado … é bom demais, não perca se não conhece, porque se conhece, sei que vai acabar passando .. rs

    Abraços e boa viagem

  • Flávio, se por acaso for para Italia entre em contato com
    este endereço, pois há um Trabi à venda, foi anunciado no Ebay da Italia.

    “Auto introvabile, buone condizioni sia interne che esterne.
    Per ulteriori informazioni telefonare al 346/7894228 Luciano

    Interessato? ContattaciTelefono: 0461 950948 Visitaci per un Test drive
    Auto 3 srl
    Luciano Ferrera
    via bolzano 43
    38014 trento TN”

  • ‘…especialmente quando não tem ninguém por perto, na solidão de uma estrada que corte milharais e plantações de magnólias. É seu habitat, muito mais do que as rodovias cheias de caminhões e carrões rápidos e sem rosto’

    Gomes é o maior ser saudosista/nostálgico que já vi em terra…

  • Flávio, põe o Gerd num container da Hamburg Süd e ele desembarca aqui em Santos… discrimina ele na guia de importação como “brinquedo” ou “medicamentos”… a maioria das coisas chegam como “medicamentos”, não sei bem porque …

  • Mais uma vez obrigado por compartilhar conosco suas aventuras. Quanto ao fim da jornada não esquenta não, traga o GERD com voce. Se o problema for grana, vamos fazer uma vaquinha com seus seguidores, num instante alcançaremos a quantia desejada. Só tem um problema, cada fim de semana ele, o GERD, passará com um de nós.Topa? HHAhahahaha

  • Cara, pode ter certeza que eu estou viajando junto contigo, leio os posts e incrivelmente é como se eu tivesse fazendo essa viagem também, nunca saí do Brasil mas é como se eu tivesse conheçendo um pedaço do leste Europeu. Parabéns e continue postando essa aventura!!

  • Flavio ,
    Estou lendo com muita atenção esse belíssimo relato de sua viagem. Em Fevereiro próximo farei a mesma viagem Praga-Viena-Salzburg também de carro e estou tirando muitas dicas valiosas dos seus posts.
    Parabéns e mande um abraço pro Gerd.
    Abraços,

  • Daqui te desejo um bom dia (que já deve estar começando aí), gostaria de aproveitar, antes que alguém já tenha feito,
    sugestionar que você faça no próximo farnel (dia 31/10 e que já esteja presente) , uma exposição das fotos e presentes que andou ganhando e também nos conte ao vivo
    esta aventura que nos deixa roxo de inveja. Ouvir suas narrativas com certeza vai ser um grande barato. Estaremos esperando ansiosos.

Por admin

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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