CAMPONESAS (2)

tyrol-landscape-0--SÃO PAULO(danke) – Temos de agradecer à chuva pelos melhores momentos de um treino de classificação no ano. OK, tudo bem, deu pole para Hamilton e Rosberg fez o segundo tempo. Mas Hülkenberg estava em primeiro quando zerou o cronômetro. E quando zerou o cronômetro, todos podiam pular para a pole. Porque a pista secou.

Expliquemos. Dia de luz, festa do sol e carrinhos a deslizar no asfalto lisinho de Spielberg, pista comprada e reformada pela Red Bull há alguns anos. Uma gracinha, diria a Hebe. E é mesmo. O Red Bull Ring, ex-A1 Ring, ex-Zeltweg, ex-Österreichring, é o autódromo mais tchutchuco da temporada. Pista curtinha, no meio das montanhas, cheio de vaquinhas e casinhas lindinhas ao redor.

Todos esses diminutivos, porém, não cabem ao que se viu na definição do grid para o GP da Áustria. Foi um treinão, uma classificaçãozona. E não só no período de chuva — que durou poucos minutos, só no Q3, e daqui a pouco contamos como foi. Já na abertura dos trabalhos, com sol e calor — mas meteorologistas desesperados diante da chance de um pancadão como ontem –, a primeira surpresa do dia: o incrível Wehrlein lá em cima, nono colocado com a Manor a menos de dois minutos para o final da primeira parte da sessão.

[bannergoogle]Então, uma panca de categoria. Kvyat, na curva 8, apoiou o carro na zebra e a suspensão traseira direita colapsou. Seu Toro Rosso apontou para o lado de dentro da pista e ele saiu rodando feito um foguete desgovernado, até parar numa barreira de pneus depois de deslizar pela brita. “Sorry guys”, disse pelo rádio, mas a culpa não foi dele. O soviético era a terceira vítima do dia das novas e, aparentemente, perigosas zebras austríacas.

Não sei direito o que fizeram com as zebras nessa reforma que incluiu o recapeamento da pista toda, mas o fato é que já pela manhã Rosberg havia tido uma falha semelhante na suspensão, rodou e bateu. A Mercedes teve até de trocar seu câmbio, tirando cinco posições no grid do líder do campeonato. Depois, foi Pérez, ainda no Q1, que quebrou a mesma suspensão que Kvyat ao apoiar numa das zebras assassinas de Spielberg — no seu caso, porém, não rodou, nem bateu; mas não pôde voltar à pista no Q2.

Mas agora Inês é morta, não dá para modificar zebras de um dia para o outro, os pilotos que tratem de ficar longe delas. Kvyat saiu ileso, o treino recomeçou e logo na saída Sainz Jr. explodiu o motor. Ele foi um dos 12 que saíram dos boxes para tentar alguma coisa no tantinho de Q1 que restava. Lá na frente, de camarote, a turma da ponta só assistia. Rosberg tinha o melhor tempo, 1min06s516. Sem grandes surpresas, assim que terminou a sessão estavam degolados os dois Renôs — Magnólia Arrependida e Palmolive –, uma Manor, de Haryanta, o estropiado K-Vyado e a dupla da tenebrosa Sauber, com Sonyericsson em penúltimo e Felipe II na lanterna.

Foi a primeira vez que a gloriosa Manor passou para o Q2, com o alemãozinho Pascal fechando em décimo — nos tempos de Marussia isso também aconteceu algumas vezes, mas a equipe agora tem outro nome, então o que vale é o hoje, e, para todos os efeitos, foi a primeira vez que um Manor escapou da guilhotina e não se fala mais nisso.

Quando começou o Q2, nuvens carregadas começaram a chegar a Spielberg. Havia uma chance iminente de chuva, e foi todo mundo rapidinho para a pista para evitar surpresas. Logo de cara Hamilton enfiou 1min06s228 no cronômetro. Nico-Nico no Fubá virou 1min06s403. A Ferrari, malandrinha, resoolveu fazer seus tempos com pneus supermacios, em vez de usar os ultramacios. O regulamento prevê que o pneu usado na melhor volta do Q2 é aquele que deve ser usado na largada. A ideia dos ferraristas era boa: largar com supermacios, que duram mais, e trabalhar com a estratégia na corrida, fazendo um primeiro stint mais longo.

A Red Bull gostou da ideia e fez o mesmo. Ricardão e Verstappinho também fizeram suas melhores voltas com supermacios, a exemplo de Tião Italiano e Kimi Dera Em Vez de Leite Essas Vacas Tirassem Vodca. Aí a Mercedes resolveu fazer o mesmo. Espetou supermacios nos carros de Hamilton e Rosberg, eles saíram dos boxes e… E nada. Começou a chover.

Ficaram no Q2, então, Gutierros, Wê Lá Hein?, com um excepcional 12º lugar no grid (considerando a história pregressa da Marussia, Pascal igualou o 12º no grid de Bianchi em Silverstone/2014), Grojã, El Fodón de La Eliminación e os dois que nem andaram, Maria do Bairro e Sainz Idade.

E aí choveu mesmo. Aquela chuvinha rápida e gelada, e como o Q3 não dura muito, intermediários para todos. Vettel foi o primeiro a fechar volta, em 1min20s798. Vejam a diferença para o 1min06s no seco do Q2. Mas a chuva foi rápida. Esse novo asfalto austríaco é tinhoso, seca rápido, e os tempos foram caindo até Hamilton virar 1min16s232, o melhor tempo com intermediários.

E agora? Coloca slick ou não? “Nenhuma chance”, tinha dito Vettel alguns minutos antes ao seu engenheiro. Mas A 3min50s do fim, Hülkenberg deu a senha. Colocou ultramacios e foi à luta. Todo mundo resolveu fazer o mesmo. Com intermediários, o alemão da Force India tinha virado 1min18s125. Com ultramacios, fez 1min14s996 logo na primeira volta. Estava na cara. Aqueles minutinhos finais seriam de tempos baixando vertiginosamente, e aí virou corrida com dez carros na pista.

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Ricciardo, Massa, Raikkonen, Hamilton e Hulk chegaram a ocupar a primeira posição quando o cronômetro zerou e todos tinham conseguido abrir uma nova volta. Então, Comandante Amilton virou 1min07s922 numa volta extraordinária, asfalto praticamente seco, enfiando 0s543 em Rosberguinho, que fez o segundo tempo. Nico, porém, perderia cinco posições no grid por troca de câmbio — mesma pena para Vettel que fez o quarto tempo. Assim, o grid ficou com Hamilton na pole, Hülkenberg em segundo e, acreditem, Button em terceiro. Button em terceiro! Puta que la merda, que coisa mais legal do mundo! Raikkonen herdou o quarto lugar, Ricciardo ficou em quinto, Bottas em sexto, Rosberg larga em sétimo, Verstappen em oitavo, Vettel caiu para nono e Massa parte em décimo. Ferrari e Red Bull com supermacios amanhã, se não chover. Mercedes com ultramacios.

Assim, a chance de uma prova muito boa aumentou muito, com esse grid embaralhado e perspectivas de estratégias muito distintas entre os principais protagonistas do campeonato. E com intrusos entre os primeiros, como Hulk e Button, e favoritos lá atrás, como Rosberg e Vettel, a coisa deve ficar ainda melhor.

Vai ser um GP tão simpático quanto o autódromo. Só não sei se vai chover. A previsão indica que a chance, na hora da corrida, é bem menor do que foi hoje. Vamos torcer.

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