QUEIMOU

Q

SÃO PAULO (que horror) – Pensam que é brincadeira? O que aconteceu com o jovem tocantinense João Vieira no fim de semana em Mugello é mais um elemento para discutir as proteções aos pilotos de monopostos. O garoto corre na F-4 Italiana. Na segunda prova da rodada tripla, seu carro ficou parado no grid. A maioria desviou. Os últimos, não. Um pneu quase acertou sua cabeça — o Halo resolveria. Mas uma mangueira de radiador com água fervente caiu no seu colo — o Halo não resolveria.

Felizmente o menino está bem e o problema, agora, é pagar o prejuízo — ele não tem patrocinadores, a família banca a temporada do bolso. O outro brasileiro na categoria, Giuliano Raucci, conseguiu resultados bem melhores em Mugello. Foi ao pódio numa das corridas ao lado de Mick Schumacher e venceu outra.

No que diz respeito a Halos e afins, me parece que a única forma eficiente de proteger a cabeça de um piloto de fórmula é fechando o cockpit integralmente. Os outros sistemas que vêm sendo estudados são quase tão vulneráveis quanto um cockpit aberto.

Acho que o pessoal precisa discutir isso seriamente Paliativos não resolvem. Para mim, os carros continuariam abertos. E eu procuraria controlar outros fatores — como pneus que se soltam de carros, materiais usados na construção dos carros, melhor sinalização de pista, mais preparo de bandeirinhas, coisas assim.

jvieiramugello

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

34 Comentários

  • Estamos caminhando para uma F1 100% segura e livre de riscos. Com o HALO, os bicos de tamanduá, e as penalizações por agressividade e competitividade logo teremos uma categoria sem nenhum risco para ninguém, uma categoria extinta. Se não existir F1 ninguém mais se machuca. Ou parem com essa paranóia de segurança total e aceitam que corridas tem riscos ou acabem com a categoria. Só assim ela será 100% segura. E cá pra nós, os caras ganham bem, tem uma vida de sonhos e são reverenciados como heróis, já ta de começarem a agir como tal, aceitar os riscos e parar de reclamar. Todos sabiam dos riscos quando começaram a brincadeira. Cachorro que come osso sabe o c* que tem.

    • O brincalhão aí esqueceu da De Villota, e o HALO a salvaria foi esse o acidente mais violento na f1 junto ao do Bianchi. Então, provavelmente salvaria o Massa, não salvaria o Bianchi, mas hoje temos o safety car virtual por causa desse acidente, e salvaria a Devillota, o Surtees, Wheldon. É só pensar um pouco, coisa que você não fez antes de escrever.

  • A melhor opção como citada pelo Deni Williams seria o Canopy estilo Caça ou LMP1.

    O Halo eu enxergo como uma trave de futebol. Se o objeto for pequeno, tanto pode bater no Halo e “ir pra fora”, como bater na trave e “ir pra dentro”, ou seja, direto na cabeça do piloto.

  • Quem corre de carro sabe que é perigoso. Lógico que dá para minimizar o perigo, mas é impossível eliminá-lo completamente quando se está num carro a 300km/h. Por mais seguro que seja, uma hora vai dar merda. O halo sinceramente só ajuda se o piloto for atingido por um pneu. Se uma mola voar na cabeça do cara, ou se o carro entrar embaixo de um trator, não ajuda absolutamente nada, e pode até piorar a situação.

    Se é pra instalar um sistema de proteção, a única saída viável é um canopy estilo caça. Continua não protegendo contra tratores, mas protege contra objetos grandes, pequenos, e líquidos em geral, além de gerar novas oportunidades de explorar a aerodinâmica dos carros. Mas a FIA adora tomar medidas impulsivas e sem estudo prévio adequando. Lembrar dos pneus raiados em 1998, asa dianteira mais alta em 2001, asa traseira mais estreita e frontal mais larga em 2009… resultado efetivo dessas mudanças: ZERO.

  • Eu não sei se existe isso pois nunca vi. Mas penso que em caso de carro que não consegue sair, deveria ter uma bandeira especialmente pra isso a ser agitada. Iluminação diferente na pista, algo assim. É muito perigoso quando isso acontece…

  • Estou divagando, mas acho que o fechamento completo dos cockpits vai gerar uma prejuízo e um quebra quebra de carros dos grandes! Vai tirar o pouco que resta da noção de perigo dos pilotos, vão se sentir indestrutíveis. Velocidades máximas em toda reta e acho bom que fortaleçam a segurança dos alambrados, pra proteger o público!!

  • Olá, Flavio! Percebi hoje que subiram um vídeo daquela corrida de inauguração do novo circuito de Nürburgring, em 1984, promovido pela Mercedes. São 21min de vídeo e pelo que entendi, só está faltando o comecinho da corrida, infelizmente. Acho que é “novidade”, já que até então só encontrava pequenos trechos disponíveis na Internet. Está em https://www.youtube.com/watch?v=AZfXr1eESMs . Um charme à parte é a narração em alemão :). Abraço!

  • Eu tenho acompanhado essas discussões sobre halo, aeroscreen, fechar cockpit e vejo que as pessoas não ligam de fato para a vida de quem se arrisca. Se arriscar é algo inerente a quem anda a velocidades altas em disputa com outros, porém, isso nada tem a ver a se expor a riscos imbecis. Se hoje a evolução da tecnologia permite que se use um dispositivo que melhore a proteção então, do ponto de vista da segurança, ele deve ser adotado e acabou o assunto. Este dispositivo, seja lá qual for, não será eficaz para todos os riscos, mas é melhor tê-lo e eliminar alguns riscos do que não eliminar nenhum. E não pesa como argumento dizer que sempre se correu de cara para o vento, isso ficará no passado, pois sempre também nos lembraremos o quanto tempo correram sem proteção numa época onde já poderia ter alguma. Algumas mortes se evitam, outras não. Isso só serve de impulso para melhorar a proteção e não para ficar parado não criando nenhuma.
    Na indústria essa discussão não existe, as medidas de segurança são colocadas em prática assim que identificado o risco, se o trabalhador não segue, a empresa é autuada e o trabalhador punido. Ninguém gosta de trabalhar todo paramentado, mas para trabalhar é preciso usar o equipamento de segurança ou vai fazer outra coisa da vida. Risco de vida não é negociável por saudadezinhas ou conceitos bregas.
    Os carros serão protegidos e continuaremos a gostar de corridas, afinal, evitar que pessoas morram ou se machuquem em nada tem a ver com assistir belas ultrapassagens e disputas na pista. Simples assim.
    Abraço.

  • Entre ter o halo e nada, o melhor é ter nada. não consigo pensar naquilo salvando vidas. Na verdade pode atrapalhar, seria mais uma trapizonga para se desvencilhar em um carro em chamas.

    O aeroscreen é mais elegante e mais condizente com a tradição dos fórmulas (a barata do Fangio já tinha uma parabrisa). No entanto ele vai desviar o ar da principal tomada de ar do motor, aquela acima da cabeça do piloto. O superaquecimento será inevitável. Isso vai obrigar os projetistas a terem outras ideias. As tomadas de ar nas laterais, semelhante aos caças já estão ocupadas pelo radiador. Seria interessante ver a solução.

    De todas a melhor seria fechar o cockpit, mas aí vira WEC (nada contra, eu adoro o WEC e adoraria ver os carros estilo caça). No fim das contas, a opinião do Flavio é a melhor. Deixa aberto e tenta controlar os fatores externos.

  • Hey Flávio, falando em acidentes, sugiro o documentário GONCHI, que conta a trajetória de Gonzalo Rodriguez, piloto Uruguaio que obteve sucesso na f3000 mas que acabou falecendo em um acidente na Corkscrew em Laguna Seca. Belíssimo doc. Tem na Netflix.

  • Esse é o risco desse esporte. Se adotarem o Halo, Aeroscreen ou o cockpit todo fechado, aparecerá outro ponto que será considerado inseguro, apesar de melhorar a segurança para algumas situações.

    Alguém comentou sobre o Halo em algum post mais antigo aqui no blog utilizando o caso do Massa com a mola. Ele foi atingido na cabeça, que fica bem protegida pelo capacete, mas o Halo poderiam desviar a mola fazendo com que ela atingisse o peito do piloto, que não tem proteção. Poderia tornar a situação mais grave.

  • Flávio, ando acompanhando essas discussões sobre o halo, aeroscreen e sempre no meio das matérias se fala sobre a possível dificuldade de se sair do carro em caso de sinistro. Acho que seria interessante uma matéria do grande prêmio sobre as soluções de segurança de diversas categorias. Como se tira uma piloto de dentro de um turismo ou um LMP1? Qual a razão pros carros de Nascar terem portas soldadas e aquela tela na janela e um GT3 ter portas funcionais? Como é na Stockcar?

    Abracos!

  • Todos os anos morre ao menos um piloto no TT de Man, é raro, muito raro uma edição do Dakar sem uma morte, a poucas semanas tivemos mais uma morte na moto GP e mesmo assim não se ouve falar sobre mudanças nestas categorias/eventos. Corridas de carros, motos, caminhões… etc são perigosas, automobilismo é perigoso (!!!) o risco é componente básico do esporte a motor. È claro que os riscos devem ser diminuídos ao máximo, porem risco zero não é possível! Hoje carros, motos, circuitos e equipamentos de corrida são muito seguros, muito mais do que já foram á 20, 30, 40 anos atrás… agora quem ainda acha que não é seguro o suficiente, quem sente medo de se machucar ou morrer, os caras que acham que é perigoso demais., para estes caras só tem uma solução, sair!!! saiam do esporte vão fazer outra coisa da vida e deixem as corridas para quem não teme. O que não da para fazer é ficar mexendo com tradições e características fundamentais do esporte, carros de formula são abertos desde sempre e assim devem seguir, ponto! Ninguém é obrigado a se submeter ao risco, corre quem quer, simples assim.

    • Esse amassa barro esqueceu de digitar que ele. é o condutor do ônibus.
      Sujeito fora da normalidade..esse pigmeu.. A cada ano que passa, a mola que afetou a parte da cabeça de ameba dele, fica mais afetado……tenha juízo amassa barro..

  • Isso tudo para mim é normal e nem me impressiono,quem escolhe correr de carro tá sujeito a isso.A segurança já tá boa demais o quê é humanamente possível já foi feito.E também os pais são gozados na hora do glamour e do dinheiro entrando tão nem aí depois ficam reclamando a morte ou outro fim.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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