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quarta-feira, 5 de março de 2014 - 19:10Futebol, Gomes

CRIME

fimrigesaSÃO PAULO (luto absoluto) – Recebo pelo Twitter a notícia trágica do leitor Adriano. A WMW Rigesa, empresa onde meu pai trabalhou por mais de 20 anos, vai encerrar as atividades de seus times de futebol.

O antigo Rigesa Esporte Clube, fundado em 1943, e que depois mudou de nome para ADC Rigesa (Associação Desportiva Classista), foi onde joguei por quatro anos, de 1978 a 1981. Éramos uma das melhores equipes da região de Campinas. Enfrentar a gente no nosso campo, em Valinhos, era de meter medo em todo mundo. Por um motivo único, e que nada tem a ver com pressão de torcida, caldeirão, violência, essas coisas: é que nossos times sempre foram muito bons.

Toninho Evangelista, nosso técnico, era um amante do bom futebol e defensor xiita da esportividade, lealdade, fair play. Nunca conheci ninguém que entendesse de futebol como ele. Ex-goleiro da Ferroviária, tinha um carinho especial com os jogadores da posição. Me fazia treinar com colete de areia para ganhar impulsão e compensar minha altura. Treinávamos feito malucos, duas vezes por semana. Jogávamos aos domingos pela manhã em Campinas, Valinhos, Louveira, Vinhedo, Sousas, toda a região.

Conquistei muitos títulos pelo Rigesa. Era filho de funcionário, mas isso nunca teve importância na minha breve carreira. Eu era escalado porque era um bom goleiro. E fiquei muito tempo na reserva porque o Gilmar, goleiro titular até mudar de categoria por causa da idade, era melhor que eu.

Eu era baixinho, sim, sempre fui. Mas, na época, nenhum menino de 14 anos precisava ter 1,80 m para jogar no gol. Éramos crianças, algumas mais altas, outras menos. Mas como a foto mostra, nada que me impedisse de envergar o glorioso manto da equipe tricolor.

Tive lá umas atuações memoráveis. Como numa vitória por 4 x 1 sobre o Guarani em casa, depois de perdermos o jogo de ida, no Brinco (numa preliminar de um jogo entre o Bugre e o São Paulo), por 3 x 0. Também joguei mal muitas vezes, como numa preliminar de Ponte x Taubaté, em que perdemos para a Macaca por 5 x 1 e fiz questão de usar uma camisa verde para provocar a torcida. Me fodi. Em compensação, em outra preliminar no Moisés Lucarelli, à noite, empatamos em 0 x 0 com a Ponte, num jogo em que entrei no segundo tempo e fechei o gol. Empatar com a Ponte no Majestoso era quase um milagre, ainda mais quando o juiz era um negão gordo que, dizia a lenda, nunca tinha apitado uma única derrota da Ponte em casa. Vocês podem imaginar o que era enfrentar os caras com ele apitando…

Pelo que diz a reportagem do link acima, a Rigesa vai desativar seus times para reduzir custos. A empresa, que atua principalmente no segmento de embalagens de papelão, fatura cerca de 10 bilhões de dólares por ano, tem 2.700 funcionários no Brasil, está em mais de 30 países e resolve cortar custos encerrando as atividades de um clube que tem mais de 70 anos.

Salve o capitalismo.

57 comentários

  1. Marcos disse:

    Já soube que agora é a fábrica inteira que vai embora da cidade?

  2. Muchacho disse:

    Decisão típica de burocrata que corta a despesa com cafezinho e perde dinheiro com a má gestão, pois o que importa é o mkt da austeridade.
    Não dá para acreditar que eles não tenham profissionais capazes de encontrar alguma solução via leis de incentivo para manter o time e grêmio esportivo.
    Pior que o capitalismo são os capachos que esse sistema cria !

  3. Francisco Libânio disse:

    Eu tenho uma paixão especial pelo futebol amador, mas não sei se ele existe como a gente crê ser. Vejo as notícias da Copa Kaiser, que envolve times de SP e metrópole, e vi que alguns jogadores na várzea são CONTRATADOS. Alguns recebem pra jogar, inclusive. Um esquema semiprofissional que não difere um Bafô de um Nacional (nos dias de hoje, serei B do Paulista, que seria a quarta divisão) por exemplo. Talvez seja romantismo ou ingenuidade acreditar que a várzea seja um lugar onde impere a simpatia, a abnegação ou a diversão pura e simples de se bater uma bolinha aos domingos nos campos batidos. Claro que não vão correr somas milionárias, mas o fato de ter grana na parada já faz um time ser mais forte que o outro. de qualquer forma, o charme da várzea ainda existe. Pena que o Rigesa feche as portas.

    Quanto aos reclamões pró-capitalismo, lembremos que na época soviética, os times pertenciam a sindicatos e categoria profissionais. O Dínamo Moscou era o time dos fabricantes de automóvel, o Lokomotiv, dos ferroviários, o CSKA, do Exército… E assim vai, em tese, eram amadores. Como hoje aqui, em tese, mas não viviam do futebol.

  4. Carlos D'Orazio disse:

    Não reclame dos comentários FG, o Blog trata principalmente de Automobilismo que é um esporte basicamente de coxinha. Aconteceria o mesmo num Blog sobre o Tênis, não se pode esperar outra coisa.

  5. Ricardo Pignatelli disse:

    Joguei muitas vezes contra a Rigesa, porém fut-sal e nas categorias menores, assim como o Flávio fui goleiro, me recordo que meu primeiro jogo oficial foi justamente contra a Rigesa em 1993, tinha 6 anos, no ginásio da extinta Tejusa de Indaiatuba, sem contar que perdi as contas de quantas vezes assisti Tejusa x Rigesa na categoria principal, inclusive no próprio ginásio da Rigesa. É triste saber que mais um time de fut-sal se finda, assim como Frango Sertanejo, Banespa, Reio, entre outros.

  6. Lucas Albuquerque disse:

    Tu tinha tanto cabelo que fica difícil de reconhecer. Ah, a idade… hahahah

  7. Tarso Filho disse:

    O Capitalismo é uma merda. Pena que a História mostra que não há sistema melhor.

  8. Edson Jr disse:

    Vc morou em Valinhos, Flavio? Meu avô trabalhou na Rigesa a vida toda. Na fábrica, aos 24 anos de idade, perdeu o braço por falta de segurança da fábrica. Criou a família com 4 filhos apenas com um braço e não obteve nenhuma ajuda da fábrica. Ele era de uma família humilde e não tinha instrução. A empresa nunca o informou sobre os seus direitos como amputado, e todos os “erros” dela caducaram quando os filhos cresceram e estudaram a situação dele. Mas ele trabalhou fielmente lá por 40 anos e nunca chegou atrasado. Minha mãe ia ao clube quando criança, e eu joguei no time do Rigesa juvenil entre 1991 e 1994. Muito legal saber que jogou por aqui.

  9. Marcio disse:

    O pessoal de Cuba e da Coréia do Norte está relatando que no comunismo não existem times de futebol patrocinados por empresas e por isso, lá nunca houveram times de futebol de funcionários de fábricas. Viva o Comunismo.

  10. Eduardo disse:

    Quer dizer que por mais 20 cm seriamos campeões em 82 e 86 e quicá em 90?

  11. Carlos disse:

    Bom saber que seu pai trabalhou 20 anos no Rigesa. Meu pai trabalhou 23, eu trabalhei duas vezes, um total de 5 anos, e o leitor Adriano, provavelmente é meu primo, que trabalhou lá também, assim como o pai dele. Joguei nesse campo, metade da fábrica em Valinhos foi desativada, a verba que a empresa repassava ao clube foi cortada, estava se mantendo apenas com as mensalidades. Joguei nesse campo também. Até o centro de memória da fábrica foi desativado.

  12. Bruno Bernardo disse:

    Os comentários aqui em Valinhos, dão conta que a Rigesa vai sair da cidade no ano que vem. Vão mudar a empresa para o Paraná segundo algumas pessoas que trabalham lá. Meu irmão foi demitido, assim como muitos colegas no ano passado, e ao que tudo indica, vários ainda estão pra ficar sem serviço. Simplesmente uma pena, a Rigesa sempre foi uma incentivadora do esporte, moro a 4 quadras do clube e do campo, sempre fui ver jogos principalmente da garotada, sempre tinha uma amigo ou conhecido que jogava futebol, e meus dois irmãos jogaram por vários anos futebol. Triste para a cidade.

  13. Paulorenatov disse:

    Vc era parecido com seu filho.

  14. alan disse:

    Ola FG amigao,
    Olha, que texto legal e cativante, ……… mas o “salve o capitalismo” foi totalmente dispensavel!!!!!

  15. Thiago disse:

    O time revelou alguma outra estrela dos gramados além do goleiro?

  16. Alexandre disse:

    Flávio…

    o Juiz era o Cocada?

  17. lucky braga disse:

    Belo exemplo de empresa “Sustentável” com “Responsabilidade Social” onde o Sustentável/ Social é apenas um numero, parabéns aos administradores do Grupo WMW Rigesa… Poderiam pelo menos informar isto na sua pagina “Programas de Responsabilidade Socioambiental” bla bla bla

  18. Ricardo Talarico disse:

    Gomes,
    Entendo sua tristeza com o encerramento das atividades, mas depois de 70 anos, talvez eles merecessem um “obrigado”, em vez de serem esculachados como se nada tivessem feito.
    Bom seria se algumas outras empresas dedicassem 70 anos a algum esporte.
    Abrax !!

  19. Livan Pereira disse:

    Joguei muito nesse campo aí…

    Na minha época o Toninho era uma espécie de Fergusson…

    Quem dava os treinos era o Soró, e o Toninho só aparecia nos dias de jogos.

    Saudades de um tempo que não voltará mais!

  20. Thiago M. disse:

    Eu já joguei contra a RIGESA, mas salão, na antiga Liga Campineira de futebol de salão em 1991, nossa, era muito legal essa época !

  21. charles disse:

    Sempre os “cortes” ocorrem nos copinhos descartáveis, nos clipes de papel, no salário da zeladora, nunca nas mordomias dos CÉOs, infelizmente. Acabar com algo que faz parte da história da empresa por 70 anos, é o fim da picada.

  22. De verdade é uma decisão cretina, pois hoje existem inúmeras formas de manter o esporte, principalmente para uma empresa como a Rigesa. Bastava usar a boa vontade e utilizar as leis de incentivo ao esporte (não precisa ser de alto rendimento) onde a renuncia fiscal pagava as contas e tocava os projetos. Triste joguei lá dos 8 aos 18 anos e moro na rua ao lado do clube. Triste

  23. Luiz Jr. disse:

    Triste. E dizem que não é só o time não, algumas áreas da fábrica foram desativadas e nos próximos anos podem desativar a fábrica toda. Uma parte da história da cidade em que nasci corre o risco no futuro de virar mais um condomínio pra gente besta. Vários sítios, serra entre Valinhos e Itatiba, Fonte Sônia e Sta Tereza, logo essa área da Rigesa que fica quase no centro, no fim vão acabar com tudo.

  24. Jonatas disse:

    “Corte de custos” está para o mundos dos negócios como “melhorar os fluxos de ar” está para os projetistas da F1. É desculpa esfarrapada padrão que muitas vezes não tem nada a ver com corte de custos. Pode ser que o novo presidente da empresa tenha decidido fechar o time porque prefira golf, lacrosse, badminton ou jai-alai. Mas, se disser isso no país do futebol, vai preso. Então, o gajo justifica alegando motivos financeiros, pois ninguém que quer manter o emprego ousa contestar.

    Pena sobre o time.

  25. Junior Ribeiro disse:

    Que peruca, hein Flávio ?

  26. Renan Santos disse:

    Pq “ah o capitalismo”?

    O time tem que ser mantido pra alimentar a nostalgia alheia?

    Ser industria nesse país não é mole. Tem que ajustar o orçamento mesmo…

  27. Mateus Daitx disse:

    É a famosa economia do copinho de café, os engravatados ficam bem com os acionistas quando apresentam “corte de custos”, independente onde seja e se isso realmente faz diferença considerável no balanço da empresa. Patético.

  28. Franco disse:

    hahaha quem mandou provocar a Macaquinha?! Sou de Campinas e joguei muitos campeonatos aqui na região, boas lembranças essas, e horríveis noticias. abraço.

  29. Andre Arruda disse:

    Os herdeiros das empresas estão chegando, e veem tudo nas empresas como gastos desnecessários. Mas gastar o custo disso em baladas num final de semana, ter os carrões do ano: não tem preço.

  30. João Paulo Toledo Piza disse:

    Que coisa ruim, muiiiito ruim,moro a bastante tempo em Valinhos ,morava em São Paulo e antes em Santos,mas venho pra Valinhos desde sempre(quando nasci) pois meu velho Pai sempre teve uma casa no um CCV(Clube de Campo Valinhos) que é basicamente um lugar no meio do mato, entre das cidades de Valinhos ,Itatiba e Vinhedo ,joguei na várzea vários anos pelo A.C.São Bento bairro ao lado do CCV e pelo time do nosso condomínio mesmo que tinha o uniforme igual o da Argentina, ganhei mais do que perdi de vocês ,aliás meu apelido ai Barone, do e-mail ,vem do ponta esquerda Baroninho do Palmeiras lembra? na qual eu era até melhor que ele…haha diz a lenda…Pelo menos o A.C. São Bento ainda existe nos veteranos onde fomos campeões esse ano ,é um lixo saber que o time do Rigesa acabou………

  31. Robertom disse:

    Os monetaristas não perdem nenhuma oportunidade de cortar custos, exceto os próprios salários e bônus, obviamente.
    Benefícios sociais, imagem da empresa e oportunidades de negócios são solenemente deixados de lado.

  32. Gérsio Pellegatti disse:

    Primeiro foi a Gessy Lever que implodiu um prédio histórico. A contrapartida pelo silêncio oficial foi a doação de uma construção muito mais nova onde funcionava o clube social da empresa. Agora a Rigesa. Implodindo a história dos trabalhadores de Valinhos. Fecha, acaba, joga na lata do lixo e se os “cães latirem” faremos um museu, um outro “Centro de Memória” e depois fecharemos também. Como disse o Flavio Gomes, salve o capitalismo, pois ele não salvará nenhum de nós.

  33. Adriano Tonon disse:

    Flávio,

    Fico triste em saber que fui eu o Responsável por te informar sobre isso!

    Joguei pelo Rigesa entre 84 e 87, e lembro de quando fomos até o Paineiras, no Paulista de futsal e ganhamos de 4 x 1. Na semana seguinte empatamos em casa com a S E Palmeiras!

    Valinhos inteiro ficou triste com a notícia. A secretaria de esportes da cidade está tentando
    reverter a situação e, qualquer novidade eu lhe informo.

    Mas após a junção das 2 empresas, que até determinou a mudança do nome da empresa para wmw Rigesa, muita coisa por aqui tem mudado. Triste!

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